Entrevista do mês – Heinni Sarkka

Há dois meses, Heinni Sarkka veio de Mikkeli, no sudeste da Finlândia, para fazer intercâmbio aqui na Unesp.  Heinni estuda Jornalismo na Universidade de Tampere, a terceira maior cidade do país, que tem aproximadamente o tamanho de Bauru e fica no centro-sudoeste finlandês. Aqui na Unesp, Heinni cursa disciplinas do curso de Jornalismo e da Pós-Graduação em Comunicação. Em sua universidade, a estudante esteva acostumada a emprestar livros da biblioteca, local bastante valorizado na Finlândia.

Camila: Por que você escolheu o Brasil?

Heinni: Escolhi porque me parecia um pais muito interesante. Eu tenho uma amiga brasileira na Espanha (onde morei um tempo) e por causa dela fiquei com vontade de conhecer o Brasil.  E como surgiu a possibilidade de ainda fazer um intercambio aqui, aproveitei.

C: Como é o hábito de leitura comum na Finlândia?

H: Finlandeses costumam ler muito, jornais… livros…

C: As pessoas buscam os livros em bibliotecas públicas ou preferem comprá-los?

H: As bibliotecas públicas são muito boas na Finlândia e muita gente busca livros nelas. Eu acredito que mais do que aqui. Eu quase nunca compro livros na Finlândia, só para presentes, mas, mesmo assim, leio muitos livros que empresto da biblioteca.

C: A leitura é incentivada na escola?

H: É. Na Finlandia não existe analfabetismo, todas as pessoas sabem ler e escrever. Segundo estudo internacional de PISA, o sistema de ensino finlandês é um dos melhores do mundo. Na escola, temos que ler certos livros segundo a idade. Mas costumam ser os clássicos da literatura finlandesa.

C: Aqui, existem as escolas públicas, para o ensino infantil (até 6 anos de idade), fundamental (7-14 anos) e médio (15-17). Mas aqueles que podem investir na educação dos filhos, acabam optando por uma escola particular. Em relação ao Ensino Superior, o número de universidades particulares é bem superior ao de universidades públicas, variando a qualidade de ensino de instituição para instituição e de curso para curso. Como é lá na Finlândia?

H: Na Finlândia todo o ensino é público, do ensino básico até o ensino universitário. Não temos escolas ou universidades
particulares e todo o ensino é gratuito. Mesmo assim, o aceso à universidade pode ser difícil porque os alunos tem que passar por um vestibular e não escolhem muitos alunos porque depois, no mercado de trabalho, não tem trabalho para todos. Por exemplo, só escolhem 5-8 % das pessoas que tentam estudar Jornalismo. E as universidades preparam a gente para pesquisa e para o mercado de trabalho. Mas acho interessante aprender como é o sistema daqui.

C: Você percebe grandes diferenças entre a biblioteca da Finlândia e daqui?

H: Não conheço a biblioteca pública de Bauru, só a biblioteca do câmpus. Uma diferença é que o tempo de empréstimo aqui é mais curto que na Finlândia.

C: Algo em nossa biblioteca chamou sua atenção positivamente?

H: Tem boa coleção de livros, eu estava buscando livros sobre a história de Brasil e achei vários. De muitos outros temas também tem bastantes livros.

C: Você acha que na Biblioteca da sua Universidade há alguma coisa (na infra-estrutura, nos serviços, na maneira de lidar com os usuários) que poderíamos repetir aqui para prestarmos um serviço melhor?

H: Não sei se poderiam ter computadores para usar a internet, mas seria legal. Também se o tempo de empréstimo fosse um pouco maior seria mais fácil emprestar os livros.

C: Uma curiosidade, eu li no site da biblioteca da Universidade de Tampere que lá também há o autoempréstimo e a autodevolução. Reparei que o horário de atendimento no balcão é menor que o horário que a biblioteca fica aberta. Pelo que compreendi, há um período, no  início e no fim do dia que a biblioteca está aberta, mas sem funcionários atendendo, restando aos alunos apenas a opção de autoatendimento. Estou certa? Isso satisfaz as necessidades dos usuários? Não há demanda de atendimento pessoal nesses períodos? Além disso, vi que há uma “Textbook Reading Room” que fica aberta “24 h/day – available only for the students of the Tampere University”. O que seria isso? Ela fica mesmo aberta dia e noite?

H: A biblioteca fica aberta um tempo sem os funcionários, está certo. Não sei se tem demanda de pessoal a essas horas, pode ser que sim, mas acho que deve ser para economizar. De todo jeito tambem acho estranho que aqui no Brasil os funcionários da biblioteca trabalhem até as 11 horas da noite. Na Finlândia,  não aceitaríamos isso: a maioria das pessoas se deitam já às 10 ou às 11 horas da noite. Tambem temos um “Textbook reading room” que fica aberta a noite toda porque assim podemos estudar para um exame. O que acontece é que dessa sala não se pode levar livros para fora mas se pode ler lá. Então se os livros da coleção de biblioteca se esgotam a gente pode ainda encontrá-los na “textbook reading room” e estudar lá.

por Camila Oliveira

Todo mês será publicada aqui no blog uma entrevista com um usuário da Biblioteca, aluno, professor, funcionário, aposentado. A intenção é conhecer melhor a visão daqueles que usam regularmente a Biblioteca sobre nossa estrutura, serviços e objetivos. Se você gostaria de ser entrevistado, ou gostaria de sugerir alguém para ser entrevistado, mande um e-mail para camila@bauru.unesp.br

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