Experiência de Leitura – Eu sou a lenda

Richard Matheson - Eu sou a lenda (Editora Francisco Alves, Coleção Mestres do Horror e da Fantasia)

Eles estão por todos os lugares. Séries de televisão, quadrinhos, livros, filmes e vários outros meios foram invadidos por zumbis. Mas o início dessa invasão é bem antiga.

Em 1954, escrevendo sobre o distante futuro de 1976, Richard Matheson dá, em forma de livro, um aspecto novo aos nossos medos. Uma doença incontrolável que torna toda humanidade uma legião de predadores irracionais em busca de… sangue. Sim, todo o conceito de invasão zumbi começa como uma história de vampiros.

Robert Neville, nosso protagonista, é o único ser humano não contaminado por uma doença bacteriana que, após uma série de guerras, contamina todos os homens. Durante a primeira parte vemos sua luta para sobreviver e entender todo este novo mundo, onde ele só pode encontrar inimigos e cada ato dele é uma forma desesperada de manter suas esperanças. É muito tentador, nesta parte, traçar paralelos entre os atos extremos do personagem e os nossos atos cotidianos. Um exemplo é a forma como ele vai tornando sua casa um refúgio cada vez mais seguro, mas o medo chega até seus ouvidos constantemente vindo dos monstros que estão nas ruas. Olhar para as próprias janelas e ver as grades, olhar para os muros e perceber o quanto nós nos rodeamos por cercas elétricas, deixa conosco a impressão de que este medo do resto de uma humanidade incompreensível já esta em nós.

Neste sentido nossa empatia com Neville chega ao máximo quando lemos o relato detalhado de como toda a aproximação com um pequeno cachorro, único ser naquele momento que poderia lhe fazer alguma companhia, é frustrada com a morte lenta deste animal.
Mas o romance não se detêm a isso. Vemos a evolução destes novos seres, como vemos a evolução de um parasita bacteriano. A irracionalidade dos primeiros infectados não é permanente e vemos surgir uma nova sociedade. E esta sociedade de monstros também tem suas regras, suas crenças e seus próprios medos. E Robert Neville terá que descobrir isto.

Uma história curta, que possibilita diversas leituras e que ao terminarmos a leitura será quase inevitável que nos façamos a pergunta: “Por que os produtores de cinema tem que estragar uma história tão boa?”.

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