MALDITA MATEMÁTICA

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Stephen Hawking, logo no inicio de “Uma Breve Historia do Tempo”, conta que foi aconselhado a evitar equações em seu livro, pois elas diminuiriam as vendas. Isto demonstra o quanto a matemática pode ser intimidante. Por outro lado, o fato de “Uma Breve História” ser um livro fascinante sobre um assunto como física teórica, que depende quase exclusivamente de raciocínio matemático, e ter sido um dos livros mais vendidos no mundo por cinco anos seguidos (e ainda hoje ser um dos mais populares) também demonstra que pode ser atraente a todos que lhe derem uma chance, bastando para isto estar nas mãos de bons escritores que a entendam bem.

O livro “O Andar do Bêbado” de Leonard Mlodinow é um exemplo de uma boa escrita tornando interessante um assunto complexo. Tratando de temas que são considerados aborrecidos, como probabilidade, estatística, aleatoriedade e caos, Mlodinow tece com exemplos pertinentes e surpreendentes ligações entre a vida cotidiana e o pensamento matemático mais avançado. Impossível ler este livro e não começar a ter um senso crítico sobre a enxurrada de informações “cientificas” que periodicamente recebemos. Os capítulos que tratam da maneira como as informações estatísticas, embora verdadeiras, podem ser manipuladas para garantir um ponto de vista deveriam estar na mente de qualquer um que passe por uma escolha importante como as eleições de um pais, a escolha de um carro ou mesmo torcer por um time.

Mas mesmo que se trate de assuntos que pouco tem a ver com a vida da maioria das pessoas, certos autores conseguem tornar a matemática algo vivo. Simon Singh, em “O Último Teorema de Fermat” entrelaça a biografia de Andrews Wiles, e sua busca pela resolução de um problema de mais de trezentos anos, com a história da matemática desde a época de Pitágoras, e desta forma, lidando unicamente com fatos comprovados e verdadeiros, é criado um romance com duelo, traição, suicídios, insanidade e outros assuntos que revelam o lado humano desta ciência conhecida pelo lado lógico.

Mas ao falar do lado humano da matemática encontramos uma das historias mais controversas já registradas, e Jason Sócrates Bardi, utilizando uma quantidade impressionante de documentos da época, conta em “A Guerra do Calculo” a disputa entre dois gênios, Newton e Leibniz, pela autoria de uma ferramenta fundamental para o desenvolvimento do pensamento humano. Este livro pode ser lido como um belo romance sobre rivalidade, inveja, oportunismo e outras sentimentos muito negativos que não gostamos de admitir que pessoas racionais sejam capazes. É tanto uma boa leitura para quem conhecer o ambiente intelectual do século dezoito, quanto para quem espera encontrar personagens interessantes e cheios de nuances.

Se os livros anteriores podem ser lidos como romances, Ian Stewart escreveu um livro que pode ser lido como um conjunto de contos. “17 Equações que mudaram o mundo” descreve e explica a importância de formulas matemáticas sem nunca desprezar a inteligência do leitor Alem de demonstrar como a matemática esta presente em todos os procedimentos cotidianos, o autor ao destrinchar as formulas acaba tornando familiares conceitos que vários de nos poderíamos considerar assustadores. Particularmente interessante é o capitulo sobre a equação de Black-Scholes, que levada como uma verdade universal e usada sem critérios levou a maior queda da bolsa de valores deste século.

Para fechar esta pequena lista, não posso deixar de citar um livro infantil. “O Homem que Calculava” de Malba Tahan. Unindo uma imaginação fortíssima a exemplos do uso do raciocínio lógico é impossível não despertar interesse no aprendizado da matemática. É um livro que faz o deveria ser o objetivo de todo adulto que quer a atenção de uma criança, ele respeita o seu mundo e acrescenta mais elementos para que a criança possa expandi-lo.

Todos estes livros listados neste texto estão na biblioteca da Unesp, apenas esperando para provar que a matemática não foi feita para humilhar ninguém. Ao contrario pode evitar vários problemas em sua vida. A matemática acaba sendo como os melhores amantes que quanto maior o conhecimento mais interessante fica.

Rui Carodi

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