Personalidades fortes e muita paixão. Pró-reitora de Pesquisa reflete sobre presença de mulheres nas ciências

mulheres

As mulheres têm avançado em todas as áreas, mas há ainda algumas em que a presença feminina é bem menor. O número de mulheres que escolhem as ciências, principalmente as exatas e tecnológicas, é muito mais baixo que o de homens. Enquanto a presença feminina é manifesta em várias áreas do mercado de trabalho, no mundo inteiro, na ciência a estagnação é quase universal. Nos últimos anos, a situação das mulheres na sociedade experimentou intensas transformações: além do notável aumento da sua escolaridade, houve também inserção crescente e ininterrupta na força de trabalho, incluso as mulheres presentes na produção do conhecimento no Brasil e, em certas áreas, como nas ciências humanas e sociais, a presença feminina é inequívoca e sua atuação expressiva. Nas áreas ligadas à saúde cresceu muito o número de mulheres, e há importantes nomes femininos realizando pesquisas de relevância mundial.  As mulheres têm sofrido ao longo dos anos preconceitos para ocupar espaços na ciência e o caminho foi extenso e doloroso. As conquistas científicas das mulheres se comparadas às dos homens são bem menores. Entre as mulheres que se destacaram e que sempre ocupará um lugar de evidência em qualquer pesquisa é a polonesa Marie Curie (1867-1934), que por ser mulher teve negada uma cadeira na Academia de Ciências da França. Ela ficou conhecida por suas contribuições sobre radioatividade. Ganhou o Prêmio Nobel de Física de 1903 e o Prêmio Nobel de Química de 1911, tornando-se a primeira pessoa a conquistar o Nobel duas vezes e em duas áreas diferentes. Em 2009, o prêmio Nobel de Química foi dividido entre três pesquisadores norte-americanos com a israelense Ada Yonath, do Instituto Weizmann, confirmando a mais uma mulher, depois de décadas, a maior premiação que um cientista pode almejar. As conquistas femininas são evidentes hoje e não ficam restritas às pesquisadoras em si. As mulheres vão transpondo barreiras e espaços cada vez mais competitivos em todas as atividades. Outra cientista que acabou não tendo seu trabalho reconhecido foi Rosalind Franklin, biofísica britânica que foi pioneira em pesquisas de biologia molecular. Ficou conhecida por seu trabalho sobre a difração dos Raios-X; descobriu o formato helicoidal do DNA. No entanto, Maria Mayer (1906 – 1972) – física teórica alemã ganhou o Prêmio Nobel de Física por suas pesquisas sobre a estrutura do átomo e Barbara McClintock (1902 – 1992) – cientista e citogeneticista americana recebeu o Prêmio Nobel de Fisiologia/ Medicina de 1983 pela descoberta da transposição genética. Gertrude Elion (1918 – 1999) – bioquímica e farmacêutica britânica  recebeu o Prêmio Nobel de Fisiologia/ Medicina de 1988 pela criação de novos medicamentos. Christiane Nusslein-Volhard (1942 – presente) – bióloga alemã recebeu o Prêmio Nobel de Fisiologia/ Medicina de 1995 por suas pesquisas sobre genética embrionária. Se compararmos a lista de prêmios Nobel no mundo fica evidente o descompasso entre os gêneros. E o porquê disso? Por que há tão poucas mulheres na ciência? A diferença entre os homens e as mulheres na ciência refere-se a diversos tipos de ganhos que resultam em maior beneficio para os homens: a promoção, a obtenção de bolsas de estudo, a ocupação de cargos de chefia ou liderança, que resultam em maiores ganhos salariais. Como exemplo tem-se a classificação conferida pela bolsa de produtividade do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). À medida que se sobe na hierarquia das bolsas de produtividade, menor é a participação feminina, o contrário ocorrendo com o grupo masculino.  No mundo todo, a maioria dos membros das academias de ciências e dos órgãos e institutos responsáveis por conceder bolsas e verbas de pesquisas são homens. No início de minha carreira vislumbrei um caminho que me fez enfrentar uma série de dificuldades que vistas hoje me parecem muito distantes das dificuldades enfrentadas pelas mulheres em algumas sociedades. Assim, no inicio consegui suplantar as primeiras dificuldades e galguei posições acadêmicas mais elevadas, mas a maior dificuldade apareceu quando decidi disputar posições de gestão. Indubitavelmente, esta etapa foi suplantada e hoje vislumbro um caminho de maior relevância do que anteriormente vislumbrei no inicio. Este exemplo é verificado em todo o mundo, conforme se avança na carreira científica, encontram-se ainda menos mulheres. A mulher precisa acreditar em si mesma e ser mais determinada que o homem. Independentemente do caminho escolhido, mulheres que conseguiram vidas plenamente realizadas, grande sucesso profissional, e que deram importantes contribuições em suas respectivas áreas, pertencem a um grupo de mulheres com personalidades fortes, que colocam muita paixão naquilo que fazem e são exemplos a serem considerados com muita atenção.

Maria José Soares Giannini é pró-reitora de Pesquisa da Unesp.

Este artigo foi publicado originalmente no Estadão Noite de 6 de março de 2015.

Assessoria de Comunicação e Imprensa
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