Como montar sua biblioteca pessoal – parte 3

Em junho, nós começamos a montar nossa biblioteca pessoal fazendo uma seleção de materiais, mês passado falamos sobre maneiras de organizar os livros virtualmente, agora como preparar os livros para acomodá-los na estante? Essa preparação tem dois objetivos principais: identificá-los como seus e etiquetá-los para encontrar melhor.

Como identificá-los?

Marcando nome, data e procedência

A maneira mais simples de marcar o livro como seu é escrever seu nome. Pode também escrever quem lhe deu de presente, se for o caso, e a data. Você pode tornar essa inscrição mais sofisticada fazendo um carimbo com seu nome ou imprimindo etiquetas com essas informações.

Ex-libris
Como mostramos nesse post, ex-libris é um desenho, uma estampa, aplicada aos livros por meio de carimbo ou etiqueta. O ex-libris serve para identificar o livro como seu de um jeito mais artístico. Você pode criar ou pedir para aquele seu amigo que saiba desenhar um desenho que represente você de alguma maneira, e acrescentar seu nome ou suas iniciais. Os ex-libris tradicionais apresentavam também o termo “ex-libris”, que em latim significa “dos livros de”, então a estampa significava que aquele livro vinha da biblioteca de alguém especificado com o nome inscrito na imagem ou simplesmente pelo referência que a imagem faz ao dono.

Como marcar a localização?

Fora do livro

Para facilitar a reposição e a procura de um livro na sua estante, é preciso colar uma etiqueta na lombada marcando sua localização.

Dentro do livro

Para deixar registrado de uma maneira menos suscetível a danos causados pelo tempo e pelo manuseio, registre o código de localização no interior do livro a lápis, a caneta ou com uma etiqueta.

A minha biblioteca pessoal

Exemplo de indicação de localização e identificação

Exemplo de indicação de localização e identificação

Para os meus livros, eu decidi em um primeiro momento, identificá-los escrevendo meu nome, a data que comprei o livro, ou ganhei, e nesse último caso de quem ganhei entre parênteses. Essa opção foi escolhida por ser a maneira que identifico os meus livros há mais de dez anos, tem funcionado, e já marca praticamente todos os livros que possuo. Num segundo momento, desejo ter meu ex-libris também, já estou pensando em um desenho, e vou buscar um desenhista para viabilizar a ideia. Se a arte for simples e minimalista, faço um carimbo, se for mais complexa, mandarei imprimir etiquetas em uma gráfica.

Como você pode ver na foto, também marquei no interior do livro a localização. Fiz a lápis, para o caso de alterar algo daqui um tempo. Houve uma pequena mudança entre a maneira que tinha decidido marcar o título do livro na localização no último post e a maneira que fiz agora. Para melhorar a diferenciação entre o autor e o título, decidi manter as três primeiras letras do autor em letras maiúsculas e apenas a inicial maiúscula no nome do livro.

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Como montar sua biblioteca pessoal – parte 2

No mês passado, nós falamos sobre a seleção de materiais para compor a nossa biblioteca pessoal. Hoje vamos falar de maneiras de organizá-los virtualmente. O post foi dividido em quatro níveis, assim, você pode escolher a alternativa mais adequada a você. A ideia de fazer um registro de seus livros no seu computador é poder buscar com facilidade os títulos que você tem.

Nível Fácil

Planilha
A maneira mais simples de listar seus livros é em uma planilha, utilizando por exemplo o Excel, Calc ou Google Docs. Você pode fazer o download de um modelo aqui. As informações básicas dessa tabela são: Título, Autor e Localização do livro. Você dedica cada linha a um exemplar e as colunas podem variar de acordo com o propósito da sua tabela. O modelo disponibilizado acima inclui as informações básicas para realizar a referência bibliográfica de um livro, para você localizá-lo na estante e para saber se está disponível ou emprestado a alguém. Você pode retirar ou incluir colunas conforme seu propósito. A inclusão de  muitas colunas pode tornar a tabela tão complexa que seria mais adequado utilizar outras ferramentas apresentadas nos níveis seguintes.

Exemplo de registro de livros em tabela

Exemplo de registro de livros em tabela

Prós
Fácil de usar
Não precisa de instalação
Pode ser compartilhada com outras pessoas facilmente, utilizando uma ferramenta como o Google Drive

Contras
Recursos limitados
Não permite busca por palavras-chaves

Skoob
O Skoob é uma rede social para você compartilhar suas leituras, basta procurar um livro e marcar uma das opções sobre leitura – Lido, Lendo, Vou ler, Abandonei. Além disso, possibilita atribuir estrelas, marcar como favorito, desejado, emprestado, disponível para troca, se já possui ou se está incluído em sua meta de leitura.
Você pode marcar detalhes da sua cópia incluindo tags para categorizar o título, fazer resenhas, fazer comentários em seu histórico de leitura a medida que lê,  marcar se a edição que você leu tem uma editora, número de páginas ou capa diferentes da indicada. Ainda é possível separar revistas,  mangás/gibis e livros.

Prós
Não é preciso registrar as informações do livro
Seus amigos podem ver sua estante
É possível marcar livros emprestados
Você pode avaliar os livros atribuindo de 1 a 5 estrelas.

Contras
Não há um campo para a localização do livro
Não há um campo para indicar quem emprestou o livro

Nível Médio

Livrista
O site Livrista funciona como uma tabela mais “visual”. Assim como na tabela, você também precisará fornecer os dados sobre o livro, mas com a vantagem de incluir uma imagem da capa e de permitir compartilhar o link da sua biblioteca com amigos.

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Prós
Por ser online, você pode acessar e editar de qualquer computador ou dispositivo móvel
Inclusão de imagem da capa

Contras
Não há um campo para a localização do livro
Não há um campo para indicar quem emprestou o livro

Nível Difícil

Biblivre
O Biblivre é um software gratuito mais completo para gestão de bibliotecas. Você pode catalogar seus materiais no padrão Marc 21, usado nas bibliotecas da Unesp. Sua grande oferta de recursos é ao mesmo tempo um facilitador e um dificultador. Se sua intenção é fazer o registro mais simples possível da maneira mais prática, você não vai considerar o Biblivre simples. Porém, se sua ideia é manter um cadastro completo do livro, ou até mesmo um cadastro simples em um primeiro momento que possa ser complementado depois, o Biblivre é uma boa alternativa sendo a melhor para controle de empréstimos. Como o software é utilizado em algumas bibliotecas do país, ele oferece opções de catalogação e circulação (empréstimo e devolução), você pode cadastrar pessoas que podem emprestar os livros, além de fazer buscas mais completas que recuperam informações incluídas não só nos campos “Autor” e “Título”, como também em assunto, editora, resumo, etc. Se você tiver uma biblioteca realmente grande e costuma emprestar seus livros a muitas pessoas, você pode até considerar a possibilidade de hospedar seu banco de dados em um servidor, assim, as pessoas que você cadastrar podem pesquisar os livros que você tem. Como o software é livre e usado em todo país, há um fórum oficial  no qual os usuários e os desenvolvedores compartilham experiências e tiram dúvidas. Lá você consegue saber passo-a-passo da maioria das funções disponíveis,

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Prós
Possibilita inclusão no cadastro dos livros de informações que auxiliem na busca
Permite catalogar outras mídias além de livros, como revistas e DVDs
Permite importar cadastros de livros de outras bibliotecas

Contras
Por ser mais completo, é mais complexo
Não pode ser consultado online sem o pagamento de um provedor

Como indico a localização?

A indicação de localização de um livro serve para facilitar a sua procura na estante. Nas bibliotecas, é comum indicar na etiqueta de localização a classificação – que indica o assunto da obra –  atribuída utilizando CDD (Classificação Decimal de Dewey) ou a CDU (Classificação Decimal Universal), e a notação do autor atribuída pela tabela PHA ou Cutter, como explicamos nesse post. No entanto, cada um pode escolher como classificar e organizar os livros de sua biblioteca, de acordo com seu perfil. Você pode saber a classificação de um livro na ficha catalográfica dele, que fica atrás da folha de rosto, ou ao importar o registro de uma biblioteca, nesse caso, é importante manter um padrão nas importações, selecionando registros de principalmente uma biblioteca, ou correrá o caso de misturar livros classificados pela CDD com livros classificados pela CDU.

A minha biblioteca pessoal

Para a minha biblioteca eu decidi usar o Biblivre. Como a minha ideia é catalogar os meus livros e os dos meus pais, há um número grande de exemplares e uma grande variedade de assuntos. E caso a minha biblioteca cresça muito, daqui alguns anos eu posso contratar um servidor para hospedá-la permitindo acessá-la pela internet.
Para catalogar os meus livros, estou começando por aqueles que estão em Bauru. Copio os registros encontrados na base Athena, corrigindo as informações que são diferentes daquelas presentes no meu exemplar. Quanto aos livros em inglês que não encontro no banco de dados da Unesp, eu procuro no site da British Library ou na Library of Congress, e se não encontrar em nenhum deles, eu mesma faço o cadastro com as informações da página de rosto e da ficha catalográfica (que fica atrás da folha de rosto).
Paralelamente, vou melhorar o perfil que já possuo no Skoob utilizando recursos que descobri ao realizar a pesquisa para o blog, como colocação de Tag para as estantes.
Quanto a localização, escolhi utilizar a classificação adotada nas bibliotecas da Unesp, preferencialmente a de Bauru, que eu encontro no registro do livro na base de dados Athena. Quanto a identificação do autor, optei por indicar as três primeiras letras de seu sobrenome, e abaixo delas as três primeiras letras do título, excluindo o artigo ou preposição quando houver. Por exemplo, o livro A arte de editar revistas da Fátima Ali, recebe classificação 070.572. A sua localização ficará 070.572 ALI ART e a etiqueta ficará como na imagem abaixo.

bitmap

Como montar sua biblioteca pessoal – parte 1

Se você é fã de livros, não importa o tipo, e, além de recorrer à Biblioteca, você também gosta de comprá-los, já deve ter uma coleção deles. Quem tem uma quantidade razoável de livros costuma enfrentar principalmente dois problemas: como organizá-los fisicamente, e como saber quais possui quando alguém pedir emprestado. Eu, particularmente, enfrento mais um: que livros estão na minha casa e quais estão na casa dos meus pais? Acredito que essa terceira dúvida não é só minha. Assim, vamos descobrir juntos como organizar uma biblioteca pessoal da maneira mais adequada a cada caso.

O primeiro passo é a seleção. Você precisa saber o que deseja manter e o que precisa ser jogado fora. O grau de dificuldade dessa etapa dependerá do quanto você for apegado às suas coisas e o quanto de livros você tem. O que deve ser considerado para decidir o que vai e o que fica:

Quanto espaço eu tenho para organizar meus livros?

Como espaço não deve ser considerado o maleiro, ou uma caixa que cabe num cantinho da garagem. A ideia é que seus livros fiquem organizados e de fácil acesso para você utilizá-los ou para poder emprestá-los.

Qual é o estado de conservação desse material?

Um livro danificado por fungos pode contaminar outros livros “saudáveis” e em vez de ter uma coleção maior, você terá uma coleção pior.

Esse material ainda tem utilidade?

Se você já saiu da escola, as apostilas não servem mais. Até mesmo livros do ensino médio não tem muita utilidade, a menos que seja professor, ou estude licenciatura. Se você está pensando neles como fonte de consulta para quando surgirem dúvidas, uma boa pergunta para se fazer é: Quando foi a última vez que consultei um desse livros de história quando quis lembrar o nome dos revolucionários franceses que mandaram Luis XVI para a guilhotina? Você não precisa separar todos os livros que usou no colégio, mas é importante priorizar de acordo com o espaço e a utilidade deles. Se você também guarda cadernos e folhas de fichários pense quantas vezes os consultas. “Raramente ou nunca” é um bom sinal para mandá-los a reciclagem. Se alguns livros são pouco consultados mesmo tendo índice, a chance de procurar (e encontrar) algo que queira lembrar na sua coleção de cadernos é minúscula.

Isso teria uma utilidade maior a mais alguém?

Por exemplo, se você tiver uma coleção de livros infantis que não lê nem empresta mais e conhece uma criança, escola ou biblioteca pública infantil que aproveitaria muito mais esse tipo de livro, talvez seja o momento de passar para frente. O mesmo vale para aqueles livros que leu, não gostou e não pensa em reler e nem recomendaria a alguém. Talvez, uma biblioteca pública ou um sebo aceite a doação. (Lembre-se de consultar por telefone antes, para não perder a viagem.)

Caso o seu espaço para os livros seja restrito, você certamente fará mais de uma triagem, tirando, num primeiro momento, o que já pensava em descartar, e em seguida, refazendo a seleção para adequar a quantidade ao espaço. Talvez até mesmo encontre livros duplicados (um que comprou e outro que ganhou de presente), e terá que decidir que exemplar merece ficar. Nesse processo, é legal lembrar que os livros só merecem ficar escondidos em caixas em dias de mudança.

Devo jogar todo material que não quero fora? Não! Cadernos, papéis, e livros rasgados devem ir para a reciclagem. Livros em bom estado podem ser doados a bibliotecas e vendidos ou doados a sebos. Caso conheça alguém que goste de livros e que se interessaria por aqueles que quer passar adiante, também está valendo. O importante é que aqueles que estiverem bom sejam úteis a alguém.

 A minha biblioteca pessoal

Parte da pequena coleção apertada numa mesa de computador.

Parte da pequena coleção apertada numa mesa de computador.

Como moro em Bauru há mais de quatro anos, meus livros estão divididos entre a minha casa e a dos meus pais. Aqui, eu tenho pouquíssimo espaço para eles, apenas uma mesa de computador que serve de pequena estante, onde ficam cerca de 50 livros. E para eles caberem em tão pouco espaço, significa que alguns deles ficam escondidos, ou apertados, o que não é nada bom. Na casa dos meus pais, o problema é outro, há um espaço dedicado aos livros, mas há livros DEMAIS, já que lá ficam o restante dos meus livros, parte dos livros do meu pai, além de suas revistas e materiais diversos em caixa e desorganizados. Enquanto eu postar aqui como montar sua própria biblioteca, estarei tentando organizar a minha.

Um caso real - A biblioteca pessoal compartilhada com meus pais.

Um caso real – A biblioteca pessoal compartilhada com meus pais.

Hoje eu falei sobre a seleção de materiais, no restante dessa série de posts, você irá descobrir como organizar fisicamente, como identificar fisicamente, como organizar as informações sobre seu livro no computador, facilitando até mesmo o empréstimo entre amigos.

Se você já possui uma biblioteca pessoal organizada ou tem sugestões para esse ou para os próximos posts, deixe um comentário.

Camila Oliveira

O que é esse código colado nos livros?

É difícil pensar no trabalho que há por trás quando entramos no acervo de uma biblioteca e encontramos os livros organizados nas estantes,  ou quando acessamos o catálogo das bibliotecas e conseguimos recuperar informações a respeito do livro que precisamos.

Para que os livros estejam organizados e as informações disponíveis no sistema, com acesso inclusive pela internet, é necessário um trabalho por bibliotecários e assistentes, que na biblioteca nominamos como o pessoal do processamento técnico, que são aqueles que trabalham nos serviços internos, que incluem a classificação que os livros recebem para serem organizados na estante.

O que é classificação?

É a reunião de materiais por assunto, tem por finalidade agrupá-los e arrumá-los para uso. Na biblioteconomia, ao longo da história, surgiram vários modelos de classificação. A biblioteca da Unesp de Bauru utiliza o código internacional de Classificação Decimal de Dewey (CDD) para classificar os livros.

A CDD organiza todo o conhecimento em dez classes principais, excluindo o (000), em um sistema numérico e hierárquico, sendo as divisões principais:

000 – generalidades

100 – Filosofia e psicologia

200 – religião

300 – Ciências sociais

400 – Línguas

500 – Ciências Naturais e matemática

600 – Tecnologia (Ciências aplicadas)

700 – Artes

800 – Literatura e retórica

900 – Geografia e história

Cada livro da biblioteca traz uma etiqueta na lombada com sua localização, que está relacionada ao assunto e ao autor.

Cada livro da biblioteca traz uma etiqueta na lombada com sua localização, que está relacionada ao assunto e ao autor.

Além da classificação, a notação de autor compõe as informações para localização do livro na estante, as mesmas são impressas em etiquetas que são colocadas na lombada dos livros, para melhor visualização nas estantes. Essa maneira de organização faz com que livros do mesmo assunto estejam em estantes próximas, e livros do mesmo autor sobre um mesmo assunto ficam bem perto um do outro. Assim, quando procurar um título específico, poderá dar uma olhada em outros de seu interesse.

Cada biblioteca utiliza a classificação que melhor atenda as suas necessidades, de acordo com o seu acervo. É possível também criar sua própria classificação, o que costuma ocorrer com acervos pessoais, já que na maioria dos casos o acervo é pequeno e acessado por um número reduzido de pessoas, permitindo organizar os livros de uma maneira mais simples, sem a necessidade da utilização de códigos e tabelas.

O mais importante é organizar os livros para que a recuperação seja possível e ágil.

Seção Técnica de Aquisição e Tratamento da Informação

Biblioteca circulante

A Biblioteca  da UNESP – Campus de Bauru, atende das 8h00 as 22h45, cerca de 15 horas ininterruptas diariamente de 2ª a 6ª feiras e aos sábados das 8h00 as 11h45, exceto no período de férias escolares, quando não há atendimento no período noturno e aos sábados.

Além do atendimento realizado na Biblioteca, participamos de um projeto de extensão universitária de incentivo à leitura, no qual esta inserida a atividade “Biblioteca circulante”. Esta atividade é oferecida aos alunos, professores e funcionários do Colégio Técnico Industrial – CTI, possibilitando o empréstimo de livros, principalmente os livros de literatura.

Os empréstimos ocorrem toda 3ª feira, viabilizando o acesso aos materiais, que muitas vezes não eram emprestados, devido a distância entre a Biblioteca e o colégio.

O projeto é anual e a atividade teve início em agosto de 2011 e a aceitação por parte dos interessados tem sido muito boa. É a Biblioteca além das paredes, possibilitando o acesso aos materiais informacionais.

Entrevistado do mês – Max Vicente

Desde o começo, nossa ideia com as entrevistas mensais era trazer o ponto de vista de diferentes usuários da biblioteca sobre os nossos serviços, nosso ambiente, e sobre bibliotecas de forma geral. Como não só de alunos se faz uma Biblioteca, esse mês o entrevistado foi o professor do Departamento de Ciências Humanas da FAAC Maximiliano Martin Vicente. Max, como é conhecido, conversou com Diego Melo sobre seu envolvimento com bibliotecas, local que frequenta desde sua infância na Espanha, além de comentar como vê ferramentas das novas mídias como um facilitador do contato entre a Biblioteca e a comunidade.

Infância à docência

“Desde que comecei a estudar, com sete ou oito anos, eu que era responsável pela organização dos livros, no que, não vou falar que era uma biblioteca, eram, na verdade, duas estantes com livros, infantis, gibis… Eu era o responsável por isso, então sempre gostei. Essa sala foi aumentando muito, porque nem sempre se tinha dinheiro para comprar os livros, você tinha que depender da biblioteca, por isso, eu sei muito da biblioteca. Na minha experiência na Espanha, eu era um dos que mais “fuçava”… Sempre indo atrás de livros, informação… Isso intensificou muito depois que eu entrei aqui no curso de graduação, só que no caso, naquela época, na universidade em que eu estudava, a USC, tinha um conceito muito estreito do que era biblioteca, tinha o balcão, o funcionário que procurava o livro que você precisava, e tinha o catálogo manual, então era uma coisa muito restrita. Estava pouco atualizada, a universidade não gastava dinheiro com isso, nem comprava outros livros, então, minha opção era comprar, o que era muito caro, mas a gente precisava, por conta do curso, que demandava muita leitura.

Bom, depois que entrei na UNESP, isso mudou radicalmente. Na UNESP de Marília ocorreu um choque imenso, porque em vez da coisa de barreira, que impedia, você tinha o contato. Marília foi muito interessante porque comecei a trabalhar com os anais da câmara dos deputados, e lá tinha esse acervo só que não estava organizado. Então, o meu trabalho em biblioteca que achei mais legal foi esse. Foi um trabalho que rendeu doutorado, porque eu trabalho praticamente com os anais, então só tinha no largo do São Francisco, na USP, e no Rio de Janeiro.

Então, foi muito legal, sempre dei valor às possibilidades que podia haver numa biblioteca, primeiro quando não tínhamos dinheiro para comprar livros, e depois quando me serviu como referência.

Hoje utilizo menos em termos de tempo, mas com um foco mais direcionado. Quando vou à biblioteca, embora não vá muito, vou com interesses bem específicos.”

Oásis dentro do câmpus

“Quando vim para Bauru, senti uma perda grande, porque a biblioteca de Marília tem uma história, desde que a Unesp incorporou o câmpus de Marília, tinha o curso de Letras, curso de História, um acervo imenso… Os professores lá doam livros constantemente, as editoras davam livros, e vir aqui foi de início um choque por isso, você via o acervo mais reduzido.

Por outro lado, como que eu diria, reduzido em termos de volume, mas não em termos de potencial. Esse foi um dos pontos que sempre achei o mais legal na Biblioteca, que ela foi evoluindo, avançando tecnologicamente, e, hoje, na verdade, embora o espaço seja importante, não é o vital, porque o que a biblioteca te oferece são informações, possibilidades imensas… Não é mais um depósito de livros. De jeito nenhum. A gente tenta passar isso para os alunos, mas todo mundo acha que está tudo na internet, o que cria uma série de problemas, porque a biblioteca não é só o lugar a que a pessoa vai pesquisar, é o ambiente, o clima… É uma espécie de oásis dentro do câmpus.”

É importante saber usar

“A Biblioteca aqui é excelente. Sempre que tem os editais, eu procuro cumprir o que pedem. Hoje, eu penso que, apesar de tudo, a UNESP está fazendo um esforço grande para continuar investindo em acervo. Então, depende do professor para pelo menos indicar algumas obras paradigmáticas da sua área de conhecimento. Muita gente não manda, ou manda dois livros e pede trinta volumes desses dois livros. Eu acho que não precisa tanto disso, não é? Mas uma coisa intermediária. Não abusar, porque todo mundo vai querer mandar o seu, enfim, colocar algumas questões aí, alguns livros de referência. Tanto é que alguns livros que temos aqui, não se encontram fácil em outros lugares. Pela minha experiência, eu penso que é um lugar privilegiado mesmo.

Confesso que sou fanático pelo  trabalho da biblioteca. Por quê? Porque as pessoas vão com uma atitude muito cômoda com relação à biblioteca. Elas querem ser servidas e a biblioteca não está lá para servir. Ela te propicia uma serie de condições, você tem que saber usar. Você tem toda uma possibilidade de falar que aqui o espaço dificulta? Não. Claro que dificulta, lógico, se eu tivesse o triplo de espaço que eu tenho lá, para poder acomodar mais gente, melhor. Mas não em termos de acervo. Discuto muito isso, inclusive aqui com os colegas, não é bem assim não. Acho que as pessoas têm que usar um pouco mais o que ela representa. Claro que se houver mais livros, melhor, eu sempre que posso doo os livros que recebo, mas não doo qualquer livro, só livro que acho importante. Porque também não se trata de você encher as estantes, por isso, livros que são importantes, de um autor de referência, livro que não está disponibilizado na internet ainda, então é isso que a gente procura fazer. Então essa parte tecnológica foi a saída mais interessante que poderia ter acontecido à biblioteca.”

Recursos tecnológicos recentes

“Os netbooks eu não utilizo, mas os outros recursos sim. Porque nós temos aqui os computadores, então, não faz sentido ocupar os da biblioteca. Mas, da experiência que eu tenho de outras bibliotecas que eu conheço ao redor do mundo, eu diria que oferecer netbook não é qualquer uma que oferece. Não só no Brasil.

É claro que tem outros conceitos de biblioteca, isso eu não tenho dúvida nenhuma. Por exemplo, eu visitei uma em Bogotá, na Colômbia, eu me esqueci do nome dela, acho que foi a Biblioteca Nacional, que, na verdade, é um poupatempo. Tem de tudo. Tem cinema, tem teatro, você pode tirar documento, você pode consultar livros, é um espaço extremamente original, democrático, público, onde as pessoas vão, usam, você não vai só para pegar um livro, vai fazer outras coisas, que eu acho que é por onde deveria ir um pouco. Eu fiquei impressionado com aquilo. Muito impressionado. Mas enfim, é um investimento que tem ser estatal, é um serviço caro, você tem que prestar um serviço público, para que as pessoas vão. Eu diria que é um paradigma do que poderia ser uma biblioteca, do que hoje pode vir se tornar a ser.”

Divulgação na rede

“Acompanho com muita frequência a participação da biblioteca nas redes sociais embora não participe. Eu tenho uma certa resistência a participar dessas novas tecnologias, mas acompanho, fico sabendo das exposições que são feitas, de tudo. Considero muito legal. De vez em quando, eu vou à Biblioteca quando quero ver uma exposição, já fui à Biblioteca só para ver uma exposição que me interessasse, sem pegar livros nem nada, só pela exposição. Coisas muito específicas, claro, do meu interesse.”

 por Camila Oliveira

Todo mês será publicada aqui no blog uma entrevista com um usuário da Biblioteca, aluno, professor, funcionário, aposentado. A intenção é conhecer melhor a visão daqueles que usam regularmente a Biblioteca sobre nossa estrutura, serviços e objetivos. Se você gostaria de ser entrevistado, ou gostaria de sugerir alguém para ser entrevistado, mande um e-mail para camila@bauru.unesp.br

Novas aquisições – Cómo se lee una fotografía: interpretaciones de la mirada

Uma recente aquisição da Biblioteca é o livro:  Cómo se lee una fotografía: interpretaciones de la mirada de José Javier Marzal Felici que trata da leitura de fotografias.

Texto baseado na contra capa da obra:

“Muitos críticos de arte não escondem que o valor de uma fotografia no campo da arte depende simplesmente das regras do mercado. Mas há outros valores atribuíveis a uma fotografia encontrada no reino da subjectividade absoluta: a capacidade de fascinar o receptor para emocionar, sorrir e assim por diante. Podemos ver, portanto, como a fotografia é um objeto de estudo difícil de abordar de uma perspectiva única.
O propósito deste livro é precisamente o de fornecer uma metodologia para a análise do texto fotográfico. Mas, primeiro, Javier Marzal Felici explicita, na primeira parte do livro, a base teórica e reflete sobre o status da fotografia. Na segunda parte apresenta uma viagem através das principais escolas e tendências metodológicas para análise de imagem e em seguida apresenta a sua própria proposta de trabalho. Na terceira parte apresenta doze análises do texto fotográfico como uma aplicação prática da metodologia de trabalho exposta.”

Autor: Marzal Felici, José Javier.

Título: Cómo se lee una fotografía: interpretaciones de la mirada.

Cidade: Madrid

Editora: Catedra

Ano: 2007

O livro é uma aquisição recente da biblioteca e está em exposição.

Localização na estante:

779

M357c

79.619