Entrevistado do mês – Max Vicente

Desde o começo, nossa ideia com as entrevistas mensais era trazer o ponto de vista de diferentes usuários da biblioteca sobre os nossos serviços, nosso ambiente, e sobre bibliotecas de forma geral. Como não só de alunos se faz uma Biblioteca, esse mês o entrevistado foi o professor do Departamento de Ciências Humanas da FAAC Maximiliano Martin Vicente. Max, como é conhecido, conversou com Diego Melo sobre seu envolvimento com bibliotecas, local que frequenta desde sua infância na Espanha, além de comentar como vê ferramentas das novas mídias como um facilitador do contato entre a Biblioteca e a comunidade.

Infância à docência

“Desde que comecei a estudar, com sete ou oito anos, eu que era responsável pela organização dos livros, no que, não vou falar que era uma biblioteca, eram, na verdade, duas estantes com livros, infantis, gibis… Eu era o responsável por isso, então sempre gostei. Essa sala foi aumentando muito, porque nem sempre se tinha dinheiro para comprar os livros, você tinha que depender da biblioteca, por isso, eu sei muito da biblioteca. Na minha experiência na Espanha, eu era um dos que mais “fuçava”… Sempre indo atrás de livros, informação… Isso intensificou muito depois que eu entrei aqui no curso de graduação, só que no caso, naquela época, na universidade em que eu estudava, a USC, tinha um conceito muito estreito do que era biblioteca, tinha o balcão, o funcionário que procurava o livro que você precisava, e tinha o catálogo manual, então era uma coisa muito restrita. Estava pouco atualizada, a universidade não gastava dinheiro com isso, nem comprava outros livros, então, minha opção era comprar, o que era muito caro, mas a gente precisava, por conta do curso, que demandava muita leitura.

Bom, depois que entrei na UNESP, isso mudou radicalmente. Na UNESP de Marília ocorreu um choque imenso, porque em vez da coisa de barreira, que impedia, você tinha o contato. Marília foi muito interessante porque comecei a trabalhar com os anais da câmara dos deputados, e lá tinha esse acervo só que não estava organizado. Então, o meu trabalho em biblioteca que achei mais legal foi esse. Foi um trabalho que rendeu doutorado, porque eu trabalho praticamente com os anais, então só tinha no largo do São Francisco, na USP, e no Rio de Janeiro.

Então, foi muito legal, sempre dei valor às possibilidades que podia haver numa biblioteca, primeiro quando não tínhamos dinheiro para comprar livros, e depois quando me serviu como referência.

Hoje utilizo menos em termos de tempo, mas com um foco mais direcionado. Quando vou à biblioteca, embora não vá muito, vou com interesses bem específicos.”

Oásis dentro do câmpus

“Quando vim para Bauru, senti uma perda grande, porque a biblioteca de Marília tem uma história, desde que a Unesp incorporou o câmpus de Marília, tinha o curso de Letras, curso de História, um acervo imenso… Os professores lá doam livros constantemente, as editoras davam livros, e vir aqui foi de início um choque por isso, você via o acervo mais reduzido.

Por outro lado, como que eu diria, reduzido em termos de volume, mas não em termos de potencial. Esse foi um dos pontos que sempre achei o mais legal na Biblioteca, que ela foi evoluindo, avançando tecnologicamente, e, hoje, na verdade, embora o espaço seja importante, não é o vital, porque o que a biblioteca te oferece são informações, possibilidades imensas… Não é mais um depósito de livros. De jeito nenhum. A gente tenta passar isso para os alunos, mas todo mundo acha que está tudo na internet, o que cria uma série de problemas, porque a biblioteca não é só o lugar a que a pessoa vai pesquisar, é o ambiente, o clima… É uma espécie de oásis dentro do câmpus.”

É importante saber usar

“A Biblioteca aqui é excelente. Sempre que tem os editais, eu procuro cumprir o que pedem. Hoje, eu penso que, apesar de tudo, a UNESP está fazendo um esforço grande para continuar investindo em acervo. Então, depende do professor para pelo menos indicar algumas obras paradigmáticas da sua área de conhecimento. Muita gente não manda, ou manda dois livros e pede trinta volumes desses dois livros. Eu acho que não precisa tanto disso, não é? Mas uma coisa intermediária. Não abusar, porque todo mundo vai querer mandar o seu, enfim, colocar algumas questões aí, alguns livros de referência. Tanto é que alguns livros que temos aqui, não se encontram fácil em outros lugares. Pela minha experiência, eu penso que é um lugar privilegiado mesmo.

Confesso que sou fanático pelo  trabalho da biblioteca. Por quê? Porque as pessoas vão com uma atitude muito cômoda com relação à biblioteca. Elas querem ser servidas e a biblioteca não está lá para servir. Ela te propicia uma serie de condições, você tem que saber usar. Você tem toda uma possibilidade de falar que aqui o espaço dificulta? Não. Claro que dificulta, lógico, se eu tivesse o triplo de espaço que eu tenho lá, para poder acomodar mais gente, melhor. Mas não em termos de acervo. Discuto muito isso, inclusive aqui com os colegas, não é bem assim não. Acho que as pessoas têm que usar um pouco mais o que ela representa. Claro que se houver mais livros, melhor, eu sempre que posso doo os livros que recebo, mas não doo qualquer livro, só livro que acho importante. Porque também não se trata de você encher as estantes, por isso, livros que são importantes, de um autor de referência, livro que não está disponibilizado na internet ainda, então é isso que a gente procura fazer. Então essa parte tecnológica foi a saída mais interessante que poderia ter acontecido à biblioteca.”

Recursos tecnológicos recentes

“Os netbooks eu não utilizo, mas os outros recursos sim. Porque nós temos aqui os computadores, então, não faz sentido ocupar os da biblioteca. Mas, da experiência que eu tenho de outras bibliotecas que eu conheço ao redor do mundo, eu diria que oferecer netbook não é qualquer uma que oferece. Não só no Brasil.

É claro que tem outros conceitos de biblioteca, isso eu não tenho dúvida nenhuma. Por exemplo, eu visitei uma em Bogotá, na Colômbia, eu me esqueci do nome dela, acho que foi a Biblioteca Nacional, que, na verdade, é um poupatempo. Tem de tudo. Tem cinema, tem teatro, você pode tirar documento, você pode consultar livros, é um espaço extremamente original, democrático, público, onde as pessoas vão, usam, você não vai só para pegar um livro, vai fazer outras coisas, que eu acho que é por onde deveria ir um pouco. Eu fiquei impressionado com aquilo. Muito impressionado. Mas enfim, é um investimento que tem ser estatal, é um serviço caro, você tem que prestar um serviço público, para que as pessoas vão. Eu diria que é um paradigma do que poderia ser uma biblioteca, do que hoje pode vir se tornar a ser.”

Divulgação na rede

“Acompanho com muita frequência a participação da biblioteca nas redes sociais embora não participe. Eu tenho uma certa resistência a participar dessas novas tecnologias, mas acompanho, fico sabendo das exposições que são feitas, de tudo. Considero muito legal. De vez em quando, eu vou à Biblioteca quando quero ver uma exposição, já fui à Biblioteca só para ver uma exposição que me interessasse, sem pegar livros nem nada, só pela exposição. Coisas muito específicas, claro, do meu interesse.”

 por Camila Oliveira

Todo mês será publicada aqui no blog uma entrevista com um usuário da Biblioteca, aluno, professor, funcionário, aposentado. A intenção é conhecer melhor a visão daqueles que usam regularmente a Biblioteca sobre nossa estrutura, serviços e objetivos. Se você gostaria de ser entrevistado, ou gostaria de sugerir alguém para ser entrevistado, mande um e-mail para camila@bauru.unesp.br

Leitor do Mês – Wesley Santos

Wesley Santos

21 anos

3° ano de Biologia

O que você está lendo atualmente? Está gostando?
Bom, infelizmente eu esqueci o livro em Bauru e não o trouxe para minha cidade. Pretendo ler “A Origem das Espécies” de Charles Darwin. Tanto que pretendo ir à biblioteca da minha cidade para reservá-lo. Espero gostar muito já que é um livro um tanto “básico” na área de Biologia.

Gênero literário preferido?
Gosto de ficção científica, divulgação científica. Mas quando o livro é bom, com uma narrativa interessante, o gênero não importa muito.

Na sua estante não pode faltar…
Livros do Khaled Hosseini. A narrativa dos locais e dos personagens são muito bons! Tanto eu como a minha namorada tem seus livros. Com certeza se ele lançar outro eu pretendo comprar.

Se pudesse viver dentro de um livro, qual seria?
Acho os locais que Dan Brown cita em seus livros (principalmente “Anjos e Demônios”), como a passagem ao CERN (laboratório europeu), as viagens rápidas para a Roma e no Vaticano. Ou também passear na Ilha Perdida de Maria José Dupré. São tantos lugares ainda para serem visitados, não é?

Se tivesse que indicar um livro, qual seria e por quê?
Um indico o livro “O Físico”, do Noah Gordon. Considero como um dos melhores livros que li. Conta a história de um pobre garoto na Inglaterra do século XI que deseja aprender a ser médico. O livro fica em torno do personagem e narra toda a sua aventura em busca desse sonho. Antigamente não era tão “fácil como passar em um vestibular” e o livro conta um pouquinho dos costumes e ideias que o típico cidadão da Idade Média tinha.

Personagens mais marcantes…
Um dos personagens mais marcantes é, com certeza, Rob J. (de “O Físico”). As aventuras pelas quais ele passou, cruzando toda a Inglaterra medieval. Muito bom mesmo. O controlador do tempo, Andrew Harlan, em “O Fim da Eternidade”, de Isaac Asimov é muito bom. Mostra o conflito entre o pensamento racional (e de cumprir sua função) com alguns questionamentos éticos. Além de ser um cara super inteligente. Também me marcou muito as personagens de Khaled Hosseini em “A Cidade do Sol”: Mariam e Laila. Em uma sociedade extremamente machista e teológica, o simples fato de uma mulher conseguir sobreviver nesse lugar denota que tem muita fibra. As personagens mostram ser bastante corajosas para enfrentar as situações encontradas durante a vida.

Dizem que os livros mudam as pessoas, algum livro mudou o seu ponto de vista?
Acho que o livro de Carl Sagan, “O Mundo Assombrado pelos Demônios” mudou bem meu modo de ver as coisas. Eu já, antes de ler o livro, era um pouco cético em relação as coisas do mundo. O livro permitiu exercitar mais meu ceticismo e ver, de fato, que a Ciência pode ser vista como uma vela no escuro do misticismo.

Com que personagem fictício você se identifica?
Acho que me identifico um pouco com o Hugo Cabret, do livro “A Invenção de Hugo Cabret”. O fato de ele ser curioso e tentar montar aquilo que ele deseja montar de qualquer jeito me faz parecer um pouco com ele, mas, infelizmente, não são tão aventureiro como ele.

Se tivesse o poder de mudar a vida de algum personagem qual seria?
Bom, naturalmente nos livros as coisas vão se encaixando para que tudo de certo no final. Mas um personagem que gostaria de ajudar seria o Robert, de “Xamã”. A história se passa em meados de 1800, durante a Guerra da Sucessão nos EUA. Ele é surdo e nem com melhores tratamento de saúde da época poderiam fazer ele ouvir melhor. Se eu pudesse mudar a vida de algum personagem seria a dele. Principalmente no começo, quando a descoberta de estar surdo o abala profundamente.

Alguém te influenciou a ler? Como começou a gostar de ler?
Bom, em casa sempre tive vários livros à disposição, não foi nada forçado. Na minha escola não tínhamos uma obrigação tão grande para ler livros para fins de trabalhos ou provas. Acho que foi sendo uma coisa mais natural, fui vendo que os livros abriam conhecimentos e viagens para lugares incríveis. É natural sempre queremos viajarmos mais nesse mar de palavras.

Aqui no blog, todo mês há um novo leitor do câmpus respondendo a perguntas relacionadas às suas preferências de leitura. Se você gostaria de ser o próximo leitor do mês, ou gostaria de sugerir alguém para estar aqui, mande um e-mail para camila@bauru.unesp.br

Entrevista do mês – Jamile Carvalho

Jamile Cristina de Carvalho está no 3º ano de Educação Física e já frequentava a biblioteca na escola, onde emprestava livros de literatura – área mais valorizada na seleção dos livros do local. Sua preferência eram os livros da coleção de Sherlock Holmes.

Foto: Arquivo Pessoal

Camila: Quando você entrou na Biblioteca do câmpus, qual foi a primeira impressão que teve?
Jamile: Eu gostei pela quantidade do acervo, por mais que não tenha aqui, o empréstimo entre bibliotecas de outros câmpus ajuda bastante a gente.

C: Mudou algo para você de quando vc entrou para agora?
J: No começo era meio complicadinho, mas depois você pega o jeito do sistema, de renovar no site…

C: Como é sua utilização aqui?
J: Bem, empréstimo, principalmente, a base de dados para pesquisar artigos, porque não dá para fazer de casa. Às vezes, falta tomada quando tem que trazer o notebook. Também utilizo a estrutura do prédio, as mesas, para fazer trabalho, e o lado de dentro [do acervo], principalmente para fazer leitura. Eu prefiro fazer leitura lá dentro a fazer aqui fora, porque aqui há maior trânsito. Leio jornal também, porque não tenho jornal em casa, então, aproveito para me interar daqui… Uma coisa que eu utilizo bastante é a devolução automática. Quantas vezes já fechou, você perde o horário, aí é só ir lá e devolver, bem prático.

C: E os serviços online como empréstimo, renovação e EEB, você está acostumada a usar?
J: Eu utilizo bastante, por causa do tempo acabo utilizando os serviços dos computadores daqui, mas muitas vezes já renovei livros no final de semana para não pagar multa…

C: E as redes socias da biblioteca, você conhece?
J: Na verdade, não, não conheço.
[Expliquei para Jamile sobre a presença da Biblioteca no Facebook e no Twitter, além das postagens do blog.]

C: O que você acha de bibliotecas em geral e a nossa especificamente estarem envolvidas nas redes sociais como Facebook e Twitter?
J: Eu acho legal. Eu tenho Twitter, mas não uso muito. Mas Facebook, pelo menos uma vez por dia, você tem que entrar lá. E é ótimo, para você estar atualizado, não perder os eventos, eu acho que é válido.

C: Alguma sugestão de assuntos interessantes para serem divulgados?
J: Acho que divugação de eventos na área, congressos que haverá nas diferenes áreas. Por exemplo, às vezes, tem aluno do câmpus que recebe prêmio por apresentação de trabalho, que conseguem uma publicação numa revista de nome, internacional… Divugação dessse tipo também é interessante, só teria o que acrescentar ao nome da Unesp.

C: Há algo aqui na Biblioteca que você observa de diferente, que acha positivo para o ambiente?
J: Eu acho legal essas mostras e exposições que têm, como a de Arquitetura, essas coisas diferentes dão uma repaginada, ajudam a transformar a gente, o nosso olhar… Assim como essas iniciativas que vocês têm, como a da vaca amarela, achei bacana.

por Camila Oliveira

Observação: É possível acessar as bases de dados assinadas pela Unesp de seu computador pessoal, para isso, é necessário configurar o VPN da Unesp.

Todo mês será publicada aqui no blog uma entrevista com um usuário da Biblioteca, aluno, professor, funcionário, aposentado. A intenção é conhecer melhor a visão daqueles que usam regularmente a Biblioteca sobre nossa estrutura, serviços e objetivos. Se você gostaria de ser entrevistado, ou gostaria de sugerir alguém para ser entrevistado, mande um e-mail para camila@bauru.unesp.br

Leitor do Mês – Ana Luiza Catalano

Ana Luiza Catalano

21 anos

4° ano de Biologia

O que você está lendo atualmente? Está gostando?
“Centauro no Jardim”, de Moacyr Scliar, comecei agora mas estou gostando até então.

Gênero literário preferido?
Depende do momento. Mas procuro intercalar um livro mais pesado com um mais leve de romance ou mistério que são mais fáceis de ler.

Na sua estante não pode faltar…
Moacryr Scliar, Agatha Christie, Guimarães Rosa e J.K. Rowling.

Se tivesse que indicar um livro, qual seria e por quê?
Muitos, mas diria “A Mulher que Escreveu a Bíblia”

Personagens mais marcantes…
“A feia”, de Moacyr Scliar, e gosto muito de Hercule Poirot, detetive presente na maioria dos livros de Agatha Christie.

Algum livro já te fez chorar?
Muitos!

Com que personagem fictício você se identifica?
Rachel, do livro “Férias”, de Marian Keyes.

Se tivesse o poder de mudar a vida de algum personagem qual seria?
Mudaria o destino de Sirius Black, personagem de “Harry Potter”.

Pensando nos romances, tem um casal favorito?
Sim, Anna e Aidan, de “Tem Alguém Aí?” da Marian Keyes.

Alguém te influenciou a ler? Como começou a gostar de ler?
Sim, minha mãe sempre me influenciou muito a ler. Quando era mais nova ela só permitia eletrônicos após leitura diária.

Aqui no blog, todo mês haverá um novo leitor do câmpus respondendo a perguntas relacionadas às suas preferências de leitura. Se você gostaria de ser o próximo leitor do mês, ou gostaria de sugerir alguém para estar aqui, mande um e-mail para camila@bauru.unesp.br