EXPERIÊNCIA DE LEITURA: O Segredo de Joe Gould

O Segredo de Joe Gould - JOSEPH MICCHELL

                   Este é um livro fácil de recomendar, embora deva ter sido muito difícil de escrevê-lo.  Talvez por isto, livros como este sejam tão raros: eles exigem demais dos escritores.  “O Segredo de Joe Gould” se compõe de três textos, dois artigos grandes escritos para a revista The New Yorker por  Joseph Mitchell e um posfácio feito pra a edição brasileira escrito por João Moreira Salles.

                 No primeiro texto, O Professor Gaivota, Joseph Michell traça o perfil de Joe Gould, mendigo, boêmio, que vivia em Greenwich Village, e uma figura que já fazia parte da paisagem daquela região durante a década de 1940. Ai temos uma das dificuldades do escritor.

                 Quando se inventa personagens, eles tem as qualidades que melhor se adaptam à história. Eles entram em cena no momento certo, fazem as ações que o escritor imagina e até pensam de acordo com o que narrador desejar, e, por fim, saem da narrativa no momento correto e da forma correta. Joseph Michell não teve estas facilidades, Joe Gould era uma pessoa real e excêntrica, e era muito tentador torná-lo um personagem mais engraçado, imaginá-lo  como uma parodia de vagabundos mambembes; ou torná-lo mais dramático e perdendo assim suas idiossincrasias como apenas uma vitima de uma sociedade injusta ou das circunstâncias. Joseph Michell resolveu não seguir estes caminhos, preferiu apresentar Joe Gould como uma pessoa. Uma pessoa complexa, com várias contradições, com uma história e um ambiente para esta história, com sonhos, esperanças e representante de seu tempo. Uma pessoa completa que gostaríamos de conhecer.

                 Este artigo foi um sucesso. É possível dizer que mudou e ligou a vida tanto de Gould quanto de Michell. E isto leva ao segundo artigo deste livro, O Segredo de Joe Gould, escrito mais de vinte anos depois do primeiro, e bem mais extenso que o primeiro. Além de narrar toda a história de Gould após o primeiro artigo, e como este influenciou sua vida, conta sobre as pessoas que este encontrou e desta forma se torna uma crônica de sua época. Narrado em estilo pessoal, em que o autor não exclui sua participáção e influência nos eventos, a narrativa vai envolvendo e emocionando, trazendo assim um entendimento psicológico  de vários personagens. E quando o “segredo” (pois, sim, há um segredo em Joe Gould, e um belo segredo) é enfim revelado o que poderia ser motivo de raiva e decepção, torna-se uma peça para compreensão da vida. Porque neste momento os personagens estão tão conhecidos e reconhecemos tando deles em nós, leitores, que é quase impossível não entendermos que agiríamos de modo parecido a Michell ou mesmo a Gould.

                 O livro fecha com o posfácio de Moreira Salles. Nele é contado mais sobre a vida e obra de Michell e isto só nos faz desejar ler mais obras deste autor.

                 Vale muito a pena conhecer este  pequeno livro e, talvez, também conhecer melhor as pessoas que estão ao nosso redor e que ignoramos.

Rui Carodi

Primeira Mostra de Fotografia Memórias da Intolerância

               Durante o período de 08 a 19 de junho de 2015, no bloco das secretarias de graduação da FAAC, conhecido como “Hall da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação”, ocorre a “Primeira Mostra de Fotografia Memórias da  Intolerância“, subtitulada “70 Anos de Libertação dos Campos de Concentração de Auschwitz-Birkenau e Dachau”.

            Este evento, que foi desenvolvido a partir da documentação fotográfica realizada pelos professores Marcelo Carbone Carneiro (KZ Gedenskstätte-Dachau-Alemanha) e Eli Vagner Francisco Rodrigues (Panstwowe Museum Auschwitz-Bikernau Oswiecim, Polonia) durante os anos de 2013  e 2014.

            As fotografias procuram resgatar a memória das vítimas dos campos de concentração nazistas como forma de alertar para os perigos da Intolerância étnica, religiosa e política.

               Abaixo uma pequena amostra da exposição.

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                   Com o apoio  do Observatório de Educação em Direitos Humanos, do Departamento de Ciências Humanas da FAAC e da Proex, a visita a esta Mostra pode ser uma boa oportunidade de conhecer um pouco mais sobre um dos mais tristes episódios da história do seculo XX.

                   Abaixo, link para um vídeo do canal “Cadê a Chave?” que recentemente visitou estes locais.

EXPERIÊNCIA DE LEITURA: NOTICIAS DO PLANALTO

Noticias do Planalto - Mario Sergio Conti

Noticias do Planalto – Mario Sergio Conti

É este livro um calhamaço sobre um período de três anos da historia brasileira ocorridos há mais de vinte anos. E que cada vez se torna uma leitura mais relevante e útil para os dias atuais.

Mario Sergio Conti (na época dos acontecimentos era redator da revista Veja) traça um amplo painel de vários veículos de comunicação envolvidos na divulgação de noticias durante o governo Collor, desde a eleição ate o impeachment.

Para alcançar este objetivo, o autor nos conta a historia de vários jornais e redes de televisão desde sua formação até o momento que os fatos se passam. Mais do isto, a biografia de figuras nacionais e agentes de comunicação são exploradas dentro do que podem ser uteis para o entendimento das ações narradas.

Isto tudo acaba por tornar a leitura interessante e fluida. Embora a pesquisa tenha sido bem conduzida e abrangente, o autor não torna o livro maçante, pois não perde o foco e todas narrativas acabam por contribuir para formar um amplo painel de cada momento narrado e da sociedade brasileira até aquele momento.

Noticias do Planalto acaba por se tornar um belo estudo de caso de como a mídia acaba por manipular a realidade por meio do poder da informação e assim se tornar um grande fator na construção do mundo como o encontramos. Ou seja, como o domínio da informação torna a massa da sociedade manipulável por interesses escusos. Torna-se, desta forma, uma leitura inteiramente atual.

Infelizmente.

Rui Carodi

Brasiliana Fotográfica

Conheça o Portal Brasiliana Fotográfica, que tem como objetivo contribuir para a preservação do patrimônio fotográfico digital brasileiro. Contém mais de 2 mil fotos históricas do século XIX e das duas primeiras décadas do século XX.

As fotos da Coleção D. Thereza Christina Maria, colecionadas por D. Pedro II, estão entre os destaques do portal, além de um conjunto de retratos da família imperial, feitos por Joaquim Insley Pacheco. O professor de fotografia da princesa Isabel, Revert Henry Klumb, também está representado com a série completa de estereogramas (fotografia estereoscópica, 3D) com imagens gerais da cidade do Rio de Janeiro e do palácio imperial de Petrópolis.

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Fonte: http://www.cultura.gov.br/

Experiência de leitura. BISA BIA, BISA BEL

IMG_20150414_170945403Bisa Bia, Bisa Bel é um livro juvenil escrito por Ana Maria Machado e ganhador de vários prêmios e recomendações desde o seu lançamento. Para entender este livro talvez seja necessário citar um ano, 1981, quando ele terminou de ser escrito e foi lido pela primeira vez.

Bisa Bia é a historia de uma menina que encontra uma foto de sua bisavó (também menina na foto) e, a partir disto, começa um dialogo entre gerações passadas e futuras. Nós, lendo o livro na segunda década dos anos 2000, temos várias nostalgias.

Os anos de 1980 já estão bem distantes, e o cotidiano simples da menina Bel já é um passado que não esperamos encontrar, e embora saibamos que o futuro de Neta Beta seja apenas uma invenção que dificilmente ocorrerá, é fácil achá-lo mais próximo de nós.

Quando a menina Bel encontra o retrato da menina Bia (sua bisavó) um elo sentimental se forma através do desconhecido e da imaginação. Este elo é faz o surgimento da terceira menina da história, Beta, a bisneta de Bia, ser possível e promissor. Esta corrente imaginária só pode ser reforçada pelo estimulo e pelo prazer da criação e descoberta.

A principal descoberta que se vai fazendo durante a leitura é que a formação da personalidade é a junção complexa entre o reflexo pessoal dos acontecimentos que nos rodeiam (no livro, há passagens típicas do final da ditadura brasileira, como a citação aos exilados políticos), e a história, tanto o passado quanto a perspectiva do vir a ser, para formação da vivência e repertório cultural.

Ou, em outras palavras, jamais estamos sozinhos pois somos a soma de nosso tempo com o nosso passado e os desejos do futuro.

Rui Carodi

O raciocínio de estudantes do Ensino Fundamental

Minuto Unesp 538 – Como estudantes dos 3º e 5º anos do Ensino Fundamental resolvem situações que envolvem a multiplicação e a divisão? Responder essa pergunt…
youtube.com
Acesse os vídeos do Minuto Unesp: http://unesp.br/agenciadenoticias/minutounesp Curtam o Minuto Unesp no Facebook: http://www.facebook.com/minutounesp

Como as cidades tratam seus rios

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Córrego na cidade de Araçatuba

Pesquisa da Unesp investiga situação de 16 cidades do Oeste Paulista
Valorizados em grandes parques públicos ou esquecidos, assoreados e poluídos, os rios do interior paulista informam muito sobre as trajetórias das cidades que cresceram às suas margens. Seguindo o tratamento dado aos rios e córregos da capital, muitas dessas cidades canalizaram os seus cursos d´água e os esconderam sob avenidas e outras áreas pavimentadas. Eles são lembrados quando a temporada de chuvas faz com que as galerias subterrâneas transbordem, com alagamentos e graves transtornos para a população. Essas foram algumas das constatações do projeto “A construção da paisagem de fundos de vale em cidades do Oeste Paulista”, apoiado pela Fapesp. Conduzida por Norma Regina Truppel Constantino, professora no curso de Arquitetura e Urbanismo e no mestrado acadêmico em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual Paulista (Unesp), no Câmpus de Bauru, a pesquisa investigou a situação de 16 cidades do Oeste Paulista, que nasceram e se desenvolveram ao longo do ciclo da expansão da cafeicultura. “Nosso objetivo foi saber como os rios que sustentaram o nascimento dessas cidades são percebidos atualmente pelas respectivas populações, se eles ainda têm importância para as pessoas e são levados em conta pela gestão municipal, pelos planos diretores, pelos projetos aprovados pela câmara etc.”, disse Constantino à Agência FAPESP. O projeto enfocou quatro cidades em cada uma das quatro linhas férreas que cortam o Oeste Paulista. Na linha Araraquarense: Araraquara, São José do Rio Preto, Jales e Santa Fé do Sul. Na linha Noroeste: Botucatu, Lins, Penápolis e Araçatuba. Na linha Alta Paulista: Agudos, Lençóis Paulista, Tupã e Panorama. Na linha Sorocabana: Avaré, Ourinhos, Presidente Prudente e Presidente Epitácio. Constantino já havia estudado a formação histórica dessas cidades ao participar do Projeto Temático “Saberes eruditos e técnicos na configuração e reconfiguração do espaço urbano – Estado de São Paulo, séculos XIX e XX”, coordenado pela historiadora Maria Stella Bresciani. “No levantamento das fazendas que deram origem a essas cidades, constatamos que os rios sempre foram elementos essenciais: ou o núcleo urbano surgiu ao seu redor ou eles definiam os limites das fazendas precursoras. A ideia que motivou o novo projeto foi acrescentar ao pano de fundo histórico um quadro detalhado da condição atual desses rios. Fizemos um trabalho exaustivo, com a participação de quatro bolsistas de iniciação científica da FAPESP. Identificamos os problemas e as potencialidades da integração desses rios nos espaços urbanos”, disse Constantino.

Tópicos

O projeto possibilitou a redação de uma espécie de diagnóstico, constituído por nove tópicos. “Algumas das cidades mantiveram a visibilidade e identidade de seus rios, com a conservação das características naturais e sem a degradação do ambiente; em outras, as áreas foram tratadas paisagisticamente, com pouco impacto ambiental, possibilitando à população usufruir de parques lineares construído ao longo dos cursos d’água”, aponta o diagnóstico. Existem, no entanto, cidades nas quais, apesar de haver nos planos diretores municipais diretrizes importantes para a preservação das áreas, não se levou à prática as orientações e os rios e córregos encontram-se degradados, assoreados e muitas vezes poluídos por esgoto domiciliar clandestino. Além disso, 12 das 16 cidades apresentam trechos dos rios e córregos canalizados no subterrâneo. Nos períodos chuvosos, isso ocasiona episódios de enchentes e inundações. Quando são implantados parques e recuperada a mata ciliar ao longo das áreas de proteção dos rios, há uma diminuição dos episódios de enchentes e inundações durante as fortes chuvas de verão, contribuindo para a drenagem urbana. Os parques também evitam que essas áreas sejam invadidas ou degradadas. Nas cidades em que os trilhos dos trens foram instalados em alinhamento com os cursos d´água, os rios foram relegados ao esquecimento, pois a decadência do serviço ferroviário transformou essas áreas em espaços abandonados e degradados, sem segurança para atividades de lazer. Outra conclusão a que chegaram os pesquisadores foi que, apesar de os rios serem um componente importante da história dessas cidades do Oeste Paulista, eles, em geral, não são valorizados pela população e não fazem parte do seu cotidiano; poucas são as pontes que possibilitam a visão dos rios. Há uma inadequação nos modelos de gestão urbana, com a falta de integração entre os dispositivos das legislações ambiental e urbanística, concluíram os estudiosos. “Para que os rios passem a ser valorizados pelas populações, é necessário um trabalho de conscientização e elaboração de projetos participativos que qualifiquem os lugares, mais do que a simples aprovação de leis e regulamentos”, conclui o diagnóstico.

Rios escondidos

A canalização dos rios e córregos é um dos problemas mais graves apontados pela pesquisadora. Nesses casos, as cidades do interior seguiram o modelo adotado na capital paulista, hoje tão criticado pelos especialistas. “Das 16 cidades observadas, só não houve canalização em Panorama, Lençóis Paulista, Botucatu, Avaré e Presidente Epitácio. Em Panorama e Presidente Epitácio, nem poderia haver canalização, porque se trata do rio Paraná”, disse Constantino. “O mais surpreendente é que, em vários casos, sobre os rios canalizados foram construídos parques públicos. Em vez de correrem pelos parques, tornando-se fatores de desfrute para a população, os rios foram escondidos no subterrâneo”, comentou. Um fator positivo, destacado pela pesquisadora, é que, em quase todas essas cidades, com exceção de Agudos e Ourinhos, o esgoto não clandestino é tratado antes de ser despejado nos rios.
Segundo Constantino, há um potencial a ser desenvolvido. Como todos os 645 municípios do Estado de São Paulo, estes 16 participam do programa “Município VerdeAzul”, da Secretaria do Meio Ambiente, que estabelece 10 diretrizes para a gestão ambiental, contemplando os tópicos: Esgoto Tratado, Resíduos Sólidos, Biodiversidade, Arborização Urbana, Educação Ambiental, Cidade Sustentável, Gestão das Águas, Qualidade do Ar, Estrutura Ambiental e Conselho Ambiental. Entre os 10 primeiros colocados do ranking 2014 do programa, figuram 3 dos 16: Botucatu (1º), Lençóis Paulista (7º) e Araraquara (8º). “É importante a visualização dos rios, porque, se as pessoas veem os rios, elas passam a valorizá-los e a se mobilizar por sua integridade”, enfatizou. “Em Lençóis Paulista, Panorama, Avaré, Presidente Epitácio e São José do Rio Preto, essa visualização é muito evidente. Em São José do Rio Preto, aliás, apresentam-se os dois lados da situação. Porque a cidade começou entre os córregos Borá e Canela, que, hoje, estão totalmente canalizados, debaixo das principais avenidas. Mas eles são afluentes do Rio Preto, no qual foi feita uma barragem que deu origem a um lago, e a um parque muito visualizado e aproveitado pela população.” Participaram da equipe as bolsistas Júlia Marcilio Torres, Maria Olívia Simões, Marília Lucena de Queiroz e Raisa Ribeiro da Rocha Reis.

Fonte: Agência Fapesp

José Tadeu Arantes

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