A V I S O

Amanhã, 23/05/14, a Biblioteca atenderá das 9 às 18h em decorrência da greve dos servidores técnico-administrativos.
As devoluções poderão ser realizadas através do Sistema de Autodevolução. Gratos pela compreensão.
A Diretoria

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Entrevista do mês – Amanda Tavares

Aqueles que pensam em fazer intercâmbio costumam ter três idéias sobre a experiência: aperfeiçoar o conhecimento sobre seu curso; praticar outro idioma; conhecer outra (ou várias outras) cultura. O que pode não passar pela cabeça dos que pretendem viajar ou até daqueles que viajam é que sua relação com a biblioteca ou até com livros pode mudar.

Amanda Tavares está no quarto ano de Jornalismo e como a maioria dos seus colegas de curso gosta de ler e se interessa por livros em geral. Apesar disso, sua relação com a Biblioteca não era as das mais próximas. Realizava empréstimos eventuais, geralmente de livros relacionados a trabalhos exigidos pelas disciplinas, e fazia a renovação online, mas não utilizava muitos outros serviços. “Aliás, é uma coisa que eu pretendo mudar no meu comportamento quando eu voltar, porque eu sinto que poderia estar aprendendo muito mais com a biblioteca!” comentou a aluna. Desde o início desse ano, Amanda está estudando na Universidade de Roehampton, pelo programa de intercâmbio Ciências sem Fronteiras, e observou algumas diferenças na relação que seus colegas ingleses tem com livros, leituras e biblioteca.

Estudante Amanda Tavares ao lado de uma cabine telefônica vermelha em Londres.

Foto: Arquivo Pessoal

Camila: Sobre sua experiência aí em Londres… Por que você escolheu estudar na Inglaterra?

Amanda: Bom, eu sempre quis vir pra Inglaterra! É até difícil explicar de onde veio a idéia pq era algo que eu queria desde pequena. Eu me interessava pelo país por causa da cultura e a chance de estudar aqui seria ótima pra que eu aprendesse sobre ela… Música, cinema, literatura, tudo daqui sempre esteve presente na minha vida! Também tem o fato de ser um país muito bonito, no qual eu poderia praticar meu inglês e economicamente desenvolvido, o que seria particularmente interessante pra tentar arranjar um estágio na minha carreira ou algo assim.

C: Nesses primeiros meses em Londres, você sentiu diferença entre os hábitos de leitura dos ingleses e o que se tem no Brasil?

A: Eu senti bastante diferença nos hábitos de leitura. Pra mim, o uso da biblioteca aqui é muito mais frequente, porque grande parte do aprendizado fica por conta do próprio aluno. O pessoal vai direto pra biblioteca pra estudar, empresta mil livros, faz consultas o tempo todo. É muito legal! E eles também têm muito incentivo pra ler. Fico com a impressão de que o país realmente valoriza a cultura, essa necessidade das pessoas de aprenderem.

C: Os alunos costumam buscar os livros em bibliotecas ou preferem comprá-los?

A: Eu vejo bastante gente tanto emprestando os livros quanto comprando. Na matéria de literatura que eu cursei, eu vi bastante gente comprando mesmo. Aqui, um paperback (aqueles livros de capa mais molinhas) é muito barato, o que os torna bastante acessíveis. Pra se ter uma noção, eu cheguei a comprar livros por 2 libras na internet. Isso dá no máximo uns 7 reais. Já estou com vários aqui em casa, quero ver como vai ser pra levar embora depois.

C: Na Universidade de Roehampton, a biblioteca exerce um papel importante na formação dos alunos? Ela é bastante utilizada, os professores indicam serviços que podem ser encontrados lá para auxiliar a pesquisa?

A: A biblioteca em Roehampton é bem utilizada sim. Pra vários trabalhos, os professores indicaram livros que estavam lá pra servirem de base na minha pesquisa, e o sistema de busca é muito eficiente. Algumas matérias possuem até uma lista eletrônica de livros essenciais e recomendáveis pra aquele módulo, e você pode só clicar no link e ver se ele está disponível ou não. Achei bem útil.

C: Você percebeu grandes diferenças entre a biblioteca de Roehampton e daqui?

A: Sinceramente, pra mim a maior diferença entre a biblioteca de Roehampton e da Unesp foi o acervo mesmo. No geral, aqui parece ser muito mais completo e variado. Eu, por exemplo, gosto muito de fotografia, e aqui eu acho qualquer tipo de livro sobre isso, desde os teóricos até os só de imagens. Em Bauru eu não via tantas opções nessa área. Também achei bacana que existem livros que não se relacionam diretamente a nenhum curso do câmpus, mas que podem ajudar na pesquisa ou servir para os alunos de alguma forma. A biblioteca aqui também tem uma área exclusiva para crianças, que serve como um serviço pra comunidade, o que eu achei bem interessante também…

C: Você acha que na Biblioteca de Roehampton há alguma coisa (na infra-estrutura, nos serviços, na maneira de lidar com os usuários) que poderíamos repetir aqui para prestarmos um serviço melhor?

A: Sobre o serviço, eu não senti muita diferença não. Aqui é tudo bem impessoal, na verdade, nós mesmos retiramos e devolvemos os livros através de umas máquinas. Eu sempre fui muito bem tratada pelos funcionários da Unesp e sinto até falta disso aqui às vezes, apesar de eles também serem extremamente educados e solícitos quando necessário.

C: Eu vi no site da faculdade que em alguns dias do semestre de maior demanda, a biblioteca fica aberta 24h. Você sabe como isso funciona?

A: Bom, sobre a biblioteca estar aberta 24h eu realmente não sei como funciona, pq eu nunca apareci lá de madrugada nem nada. Mas sei que os alunos usam muito, especialmente por deixarem os trabalhos pra última hora, e que esse período acontece justamente perto dos deadlines finais dos semestres. Eu acredito que apenas alguns funcionários devam ficar por lá, mais para zelar pela segurança do prédio mesmo. O que eu fiz foi ir à biblioteca de domingo à tarde, por exemplo, o que eu achei muito útil! A gente também tem aqui uma sala com “Key Texts” que servem só pra consulta e você não pode levar pra casa. É ótimo porque são sempre livros importantes dos quais você pode precisar de última hora.

Camila Oliveira

Confira sempre no blog uma entrevista com um usuário da Biblioteca, aluno, professor, funcionário, aposentado. A intenção é conhecer melhor a visão daqueles que usam regularmente a Biblioteca sobre nossa estrutura, serviços e objetivos. Se você gostaria de ser entrevistado, ou gostaria de sugerir alguém para ser entrevistado, mande um e-mail para camila@bauru.unesp.br.

Lançamento do livro infantil “Léo, um Menino Feliz”

No mês de dezembro de 2012, a Biblioteca, em parceria com o Centro de Convivência Infantil “Gente miúda” da UNESP – Campus de Bauru, realizou o lançamento do livro “Léo: um menino feliz”.

O livro foi elaborado pelas crianças do Centro de Convivência Infantil, juntamente com os integrantes do Projeto de Contação de Histórias, realizado durante o ano de 2012 na Biblioteca.

Participaram do lançamento as crianças, os pais e funcionários da Biblioteca.

A atividade fez parte do Projeto de Extensão Universitária “Biblioteca: caminho para se gostar de ler”.

Veja todas as fotos do coquetel de lançamento clicando aqui.

Clube da Leitura – Best-seller

Como é de costume, no fim da última reunião do Clube de Leitura foi definido o tema da próxima reunião, que será best-seller. Quem quiser participar pode escolher um best-seller para ler, ou um que já tenha lido para comentar.

O termo best-seller vem do inglês e significa “mais vendido”, fazendo referência ao sucesso de mercado obtido por alguns livros. Alguns exemplos de best-sellers recentes são O Código Da Vinci, a série Harry Potter, a série Millenium e Água para Elefantes.

A reunião do Clube será dia 31/5, quinta-feira, às 15h. Já sabe qual livro vai comentar?

Quem quiser saber mais sobre Clubes de Leitura, pode conferir esse post.

Entrevista com o professor Adenil Alfeu Domingos

Nessa quinta-feira, 28 de abril, às 19h, acontece a palestra “Leitura da linguagem híbrida da publicidade” com o Prof. Dr. Adenil Alfeu Domingos. Entrevistamos o professor para saber mais sobre a importância da leitura da publicidade para o público em geral. 

O assunto da palestra é voltado para publicidade, de forma mais ampla, para comunicação. Mesmo assim, a grande maioria das inscrições partiram de pessoas de outras áreas. Como o assunto pode atingi-las?

As escolas privilegiam o verbal, mas o homem pensa com ícones (imagens semelhantes aos objetos que os rodeiam) e índices (imagens que brotam na mente a partir de outra, como por exemplo a fumaça que lembra fogo). A segunda traz a primeira dentro de si, em choque, em contraste, em contiguidade, em complementaridade e assim por diante. (Se vejo um perfume que ganhei de alguém sobre minha penteadeira e me lembro de quem me deu o perfume esse signo é um índice de quem me deu o perfume).
Essas operações trabalham mais com as imagens dos objetos que nos rodeiam e que atuam em nossa mente, quase sem interferência da capacidade simbólica do homem.
Os símbolos são criados de modo convencional e arbitrário, no uso cotidiano que o homem faz dos mesmos. As palavras são todas simbólicas, já que são produtos culturais e seus significados são passados de geração por meio de aprendizagem, ensino escolar.
Essa ênfase no símbolo verbal dá ao homem uma visão antropocêntrica do mundo que o cerca, já que ele se entende um ser superior diante da natureza, quando ele não deixa de ser um ser natural, integrado ao todo, pois sua mente apenas modifica o que o cerca, mas ele, na verdade, não cria nada, apenas consegue transformar o que já existe.
Ora o símbolo verbal não é senão um uso musicado do ar que respiramos e todo o aparelho fonador adapta os órgãos da caixa craniana que funciona então como caixa de ressonância. A matéria do símbolo verbal é o ar, nada mais que isso, modulado de modo funcionar dentro da língua como fonemas, ou sons carregados de significado, dentro de um sistema, naturalmente construído bottom-up e não top-down.
Chamamos o uso de objetos simples que entram em esquemas complexos como seres emergentes e o processo de produção da língua foi o uso de objetos naturais de modo cultural dentro de sistema criado pelo uso natural e contínuo de determinados sons que, paulatinamente, ganharam significados formando o sistema da língua.
As onomatopéias, por certo, foram as primeiras palavras que o homem criou e hoje encontramos resquícios delas em palavras como cccchhhhuuuuvvvvaaaa, trovãuuuuummmm, lebrer (animal rápido) hipopótamo (animal que nada lentamente) etc.
Como ícones e índices são mais ancestrais que os símbolos, a publicidade desce nesses signos e os alia a outros como a busca do parceiro sexual ideal (o objeto a venda é o passaporte para essa conquista); as fugas do predador (hoje concorrente, rival, inimigo, em que o objeto comprado serve como arma que o outro não tem, por isso a necessidade do novo); bem como a busca da presa como alimento, tanto material, quanto espiritual, nos tempos mais atuais do consumismo. Desse modo, os publicitários, se intencionalmente ou não, não se pode determinar, usam e abusam desse modo de persuadir o outro.

A facilidade de acesso à internet alterou o foco e modo de ação das propagandas publicadas em outros meios?

Entendo que hoje vivemos em uma sociedade wiki ( da rapidez) , ciber ( de interação mundial)  construindo uma wikiciberepopéia, ou seja, em uma epopéia que todos são heróis e não existe mais apenas o contador narrando as façanhas de um só herói, como na idade média, ou na idade antiga, pois a web 2.0 com as mídias sociais, abriu a possibilidade de que todos contem suas histórias como heróis das mesmas. A publicidade percebendo esse filão entendeu que é mais fácil o amigo seduzir outro amigo do que um desconhecido fazendo esse papel. Conclui-se, portanto, que a indicação de um produto por um amigo, via internet é mais eficiente do que qualquer publicidade feita por uma agência de propaganda. O que as agências têm feito é criar plataformas que possibilitem essa interação entre sujeitos de grupos de interesses, criando os nichos de propaganda no sites e blogs. Por isso, o interesse de grandes empresas em patrocinar certos blogs e sites.    

Nesse aspecto, como a propaganda na internet se diferencia da propaganda nos outros meios?

Entendo que hoje a comunicação é orobórica, termo que criei pensando em uma cobra que morde não só próprio rabo, mas precisa morder o rabo de outra cobra formando um círculo fechado em que um alimenta o outro de modo sem limites definidos entre o emissor e o receptor, pois só dando voz ao outro podemos saber o que ele pensa de nós; esse círculo permite entender que eu preciso conhecer o que o outro pensa para poder lhe servir com mais acerto.   

 Alguma indicação de títulos ou autores?

A cauda longa, de Chris Anderson, Cultura da convergência, de Henry Jenkins e Storytelling, de Chrystian Salmon, entre outros.    

As inscrições para a palestra do Prof. Adenil podem ser feitas na biblioteca ou pelo telefone 3103-6004.