O jornalismo no cinema

Projeto Jornalismo no Cinema - Faac - Unesp

Na foto: As estudantes Lara Sant’Anna, Priscila Belasco e o professor doutor Célio Losnak (FAAC-Unesp-Bauru)

Projeto de alunos da Unesp analisa filmes com histórias ligadas à carreira; experiências são postadas no Facebook e em site próprio

A análise sobre uma carreira muito interativa com a sociedade e a cultuada sétima arte deu origem ao projeto “O Jornalismo no Cinema” em Bauru. A orientação é do professor doutor em história social, Célio José Losnak, da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac) da Unesp. Já a coordenação é das alunas do curso de jornalismo Lara Sant’Anna, 20 anos, e Priscila Belasco, 21. O início das análises aconteceu no primeiro semestre de 2014 e envolveu uma preparação sobre noção de linguagem cinematográfica. O grupo fez um levantamento de filmes, a partir do ano de 2001, que tinham tratado desta temática e começaram os trabalhos. “Já existe um livro publicado com esse tema: como o jornalismo foi representado no cinema. Este livro é de 2000, de uma professora do Rio Grande do Sul. Então, nesta primeira parte, estamos trabalhando com filmes a partir de 2001, sem nenhum critério de gênero e sem critério de qualidade cinematográfica”, diz o professor. “O nosso objetivo é mostrar que filmes, de variados tipos, podem apresentar interpretações sobre a mídia, sobre o jornalismo e sobre os jornalistas”, explica.

Colaborações
Algumas listas de filmes foram pesquisadas e criadas. A partir daí o grupo troca informações e, claro, assiste aos vídeos. “A primeira parte foi definir uma lista inicial. Naquele momento escolhemos cerca de 15 filmes. Também temos colaboração de alunos que vieram com outros filmes. Essas são colaborações eventuais. São só duas alunas fixas, uma bolsista e uma que, desde o início se prontificou a colaborar”, complementou Losnak.

Afinidade
A bolsista Lara Sant’Anna conta que escolheu participar por conta do seu gosto pelo cinema. “Ele [projeto] tem uma proposta muito interessante de, não apenas discutir cinema, como também a imagem da mídia e do jornalista nas produções cinematográficas. Outro ponto positivo é que descobrimos novos filmes e aprendemos mais sobre personagens importantes do jornalismo mundial, e nacional. O projeto também me ensinou a analisar um filme quanto a sua estética e montagem, o que faz com que tenhamos uma visão mais crítica e analítica sobre as produções”. Ela acrescenta: “O filme sobre o qual mais gostei de escrever foi ‘Capote’ porque foi preciso ir além do filme e pesquisar mais sobre Truman Capote, seu estilo e sua influência para o jornalismo e para a literatura”.

Na prática
A colaboradora Priscila Belasco enfatiza a experiência prática que o blog “O Jornalismo no Cinema” gerou. “A prática da escrita veio a partir de algo que gosto muito, os filmes. Além de analisar a prática jornalística e a conduta adotada nas redações e nas relações entre os profissionais, avaliar a fotografia e a construção do cenário também foram pontos que aprendi a prestar atenção”. E arremata: “Assim como a iluminação, passagem das cenas e coisas mais técnicas. Também tive contato com ótimos filmes que ainda não conhecia, como ‘Almost Famous’ (Quase Famosos), que foi a análise que mais me senti satisfeita ao escrever.

Bruna Dias

Serviço
As postagens com as análises e sinopses são feitas no blog “O Jornalismo no Cinema: https://ojornalismonocinema.wordpress.com.

E também na página no Facebook: “O Jornalismo no Cinema”.

http://www.jcnet.com.br/…/20…/03/o-jornalismo-no-cinema.html

Anúncios

Falando em cinema, física, premiação do Oscar e etc.

stephen-hawkings
O livro de Stephen W. Hawking, “Uma breve história do tempo” também faz parte do nosso acervo:
523.1
H325b
54.111/55.011/55.012 e outros…

Veja a crônica do professor Mauro Galetti

Stephen Hawking: meu ilustre vizinho
Crônica de Mauro Galetti, professor do Instituto de Biociências da Unesp de Rio Claro

Está nos cinemas de todo o mundo e concorreu ao Oscar o filme A teoria de Tudo que conta a história do famoso físico inglês Stephen Hawking. Assistindo ao filme essa semana, não pude me emocionar e relembrar do meu vizinho ilustre. Isso mesmo, Stephen Hawking foi meu vizinho em Cambridge em 1993, quando na época eu era aluno de doutorado. Numa época que não existia email, celular, selfies e as únicas celebridades em que os paparazzi se importavam eram a real família britânica, era comum encontrar cientistas famosos nas ruas de Cambridge. Atualmente com 88 prêmios Nóbeis nas mais diversas áreas, Cambridge é uma universidade que ainda mantêm tradições centenárias. A Universidade nasceu antes mesmo que a cidade. Em 1209 alguns professores que divergiram da cúpula acadêmica da Universidade de Oxford decidiram rebelarem-se e fundar a Universidade de Cambridge, o que viria a ser uma das universidade mais famosa do mundo. A Universidade de Cambridge tem hoje 18.000 alunos e é composta por 31 Colleges e 150 departamentos. Nos Colleges é onde os professores e alunos estão afiliados, residem e socializam-se. Cada College tem suas cores, tradições, influência e cada um escolhe seus próprios alunos. A Universidade de Cambridge abrigou e ainda abriga uma grande parte dos maiores cientistas do mundo. Foi nessa universidade que William Harvey descreveu pela primeira vez a circulação sanguínea, Isaac Newton estudou, lecionou e escreveu seu famoso livro sobre a gravidade (Principia), Watson e Crick desvendaram a estrutura do DNA. Não apenas grandes cientistas estudaram em Cambridge, mas 15 Primeiros Ministros da Inglaterra, além de John Harvard (fundador da Universidade de Harvard nos Estados Unidos) e Charles Darwin. Outros ex-alunos famosos incluem David Attenborough, Príncipe Charles, Hugh Laurie (ator de House), Emma Thompson, e muitos atores de Hollywood. Cheguei na Universidade de Cambridge na Inglaterra em setembro de 1992 logo após ter defendido meu mestrado numa época politicamente turbulenta no Brasil que acarretou o impeachment do então presidente Fernando Collor. Estranho pensar que essa época parece ter voltado. Nunca havia estudado fora do Brasil e minha intenção era aproveitar ao máximo a chance que o governo brasileiro (através de bolsa do CNPq) havia me concedido com um bolsa de doutorado para estudar na mais prestigiosa universidade do mundo. Tornar-me um cientista antropófago, como Oswald de Andrade bem colocou em seu Manifesto antropofágico de 1928. Absorver tudo o que é de melhor, digerir e aí produzir uma ciência brasileira. Em Cambridge, meu quarto no Robinson College era espartano, cabia apenas uma cama e uma pequena escrivaninha. Era o menor quarto de Cambridge e certamente o mais barato. Eu pagava 100 libras esterlinas por mês, uma pechincha. Mas diferente da maioria das universidades do mundo, a arte e ciência se misturam nas amizades e nas conversas de pubs. Sempre acordava tarde pois passava a noite lendo e escrevendo meus trabalhos. Depois de um café instantâneo, pegava minha bicicleta e seguia rumo ao meu Departamento. Quase sempre frio e uma chuva fina me acompanhava. No meu caminho era recorrente encontrar o Professor Stephen Hawkins saindo de seu pequeno apartamento acompanhado de sua enfermeira e segunda esposa. Seu apartamento ficava em um College para pós-graduandos em uma rua pacata. O nosso bairro era afastado do centro e numa área cercada de macieiras e campos de Rugbi. Hawkins já era famoso entre os leigos pelo livro “Uma breve história do tempo” descobriu ter esclerose múltipla quando era aluno de doutorado de Cambridge. Sua cadeira de rodas ia dirigindo lentamente pelas ruas de Cambridge e sua enfermeira ia a pé ao seu lado. Ninguém o importunava, nunca vi ninguém parar para tirar sua foto. Uma vez parei no sinal e ao meu lado lá estava Hawking indo trabalhar, também esperando o sinal abrir. Eram épocas mais simples que o respeito e admiração eram guardadas para si mesmo. Assim como Hawking, Cambridge me proporcionou assistir palestras de prêmios Nobeis (como a de Francis Crick) e outros cientistas que viriam a ser famosos. Cambridge me fez entender que uma universidade deve ser a melhor experiência acadêmica na vida de um aluno. Assistindo ao filme da vida do Professor Hawking no cinema fiquei feliz que a vida de um cientista tenha chegado ao grande público. Hoje, numa época em que celebridades são criadas e destruídas em minutos, ainda existe espaço para ouvir a história de quem realmente importa.

Mauro Galetti é professor do Departamento de Ecologia do Instituto de Biociências da Unesp de Rio Claro.

Este artigo foi publicado originalmente no Estadão Noite de 23 de fevereiro de 2015.

Assessoria de Comunicação e Imprensa