Como montar sua biblioteca pessoal – parte 3

Em junho, nós começamos a montar nossa biblioteca pessoal fazendo uma seleção de materiais, mês passado falamos sobre maneiras de organizar os livros virtualmente, agora como preparar os livros para acomodá-los na estante? Essa preparação tem dois objetivos principais: identificá-los como seus e etiquetá-los para encontrar melhor.

Como identificá-los?

Marcando nome, data e procedência

A maneira mais simples de marcar o livro como seu é escrever seu nome. Pode também escrever quem lhe deu de presente, se for o caso, e a data. Você pode tornar essa inscrição mais sofisticada fazendo um carimbo com seu nome ou imprimindo etiquetas com essas informações.

Ex-libris
Como mostramos nesse post, ex-libris é um desenho, uma estampa, aplicada aos livros por meio de carimbo ou etiqueta. O ex-libris serve para identificar o livro como seu de um jeito mais artístico. Você pode criar ou pedir para aquele seu amigo que saiba desenhar um desenho que represente você de alguma maneira, e acrescentar seu nome ou suas iniciais. Os ex-libris tradicionais apresentavam também o termo “ex-libris”, que em latim significa “dos livros de”, então a estampa significava que aquele livro vinha da biblioteca de alguém especificado com o nome inscrito na imagem ou simplesmente pelo referência que a imagem faz ao dono.

Como marcar a localização?

Fora do livro

Para facilitar a reposição e a procura de um livro na sua estante, é preciso colar uma etiqueta na lombada marcando sua localização.

Dentro do livro

Para deixar registrado de uma maneira menos suscetível a danos causados pelo tempo e pelo manuseio, registre o código de localização no interior do livro a lápis, a caneta ou com uma etiqueta.

A minha biblioteca pessoal

Exemplo de indicação de localização e identificação

Exemplo de indicação de localização e identificação

Para os meus livros, eu decidi em um primeiro momento, identificá-los escrevendo meu nome, a data que comprei o livro, ou ganhei, e nesse último caso de quem ganhei entre parênteses. Essa opção foi escolhida por ser a maneira que identifico os meus livros há mais de dez anos, tem funcionado, e já marca praticamente todos os livros que possuo. Num segundo momento, desejo ter meu ex-libris também, já estou pensando em um desenho, e vou buscar um desenhista para viabilizar a ideia. Se a arte for simples e minimalista, faço um carimbo, se for mais complexa, mandarei imprimir etiquetas em uma gráfica.

Como você pode ver na foto, também marquei no interior do livro a localização. Fiz a lápis, para o caso de alterar algo daqui um tempo. Houve uma pequena mudança entre a maneira que tinha decidido marcar o título do livro na localização no último post e a maneira que fiz agora. Para melhorar a diferenciação entre o autor e o título, decidi manter as três primeiras letras do autor em letras maiúsculas e apenas a inicial maiúscula no nome do livro.

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O que é esse código colado nos livros?

É difícil pensar no trabalho que há por trás quando entramos no acervo de uma biblioteca e encontramos os livros organizados nas estantes,  ou quando acessamos o catálogo das bibliotecas e conseguimos recuperar informações a respeito do livro que precisamos.

Para que os livros estejam organizados e as informações disponíveis no sistema, com acesso inclusive pela internet, é necessário um trabalho por bibliotecários e assistentes, que na biblioteca nominamos como o pessoal do processamento técnico, que são aqueles que trabalham nos serviços internos, que incluem a classificação que os livros recebem para serem organizados na estante.

O que é classificação?

É a reunião de materiais por assunto, tem por finalidade agrupá-los e arrumá-los para uso. Na biblioteconomia, ao longo da história, surgiram vários modelos de classificação. A biblioteca da Unesp de Bauru utiliza o código internacional de Classificação Decimal de Dewey (CDD) para classificar os livros.

A CDD organiza todo o conhecimento em dez classes principais, excluindo o (000), em um sistema numérico e hierárquico, sendo as divisões principais:

000 – generalidades

100 – Filosofia e psicologia

200 – religião

300 – Ciências sociais

400 – Línguas

500 – Ciências Naturais e matemática

600 – Tecnologia (Ciências aplicadas)

700 – Artes

800 – Literatura e retórica

900 – Geografia e história

Cada livro da biblioteca traz uma etiqueta na lombada com sua localização, que está relacionada ao assunto e ao autor.

Cada livro da biblioteca traz uma etiqueta na lombada com sua localização, que está relacionada ao assunto e ao autor.

Além da classificação, a notação de autor compõe as informações para localização do livro na estante, as mesmas são impressas em etiquetas que são colocadas na lombada dos livros, para melhor visualização nas estantes. Essa maneira de organização faz com que livros do mesmo assunto estejam em estantes próximas, e livros do mesmo autor sobre um mesmo assunto ficam bem perto um do outro. Assim, quando procurar um título específico, poderá dar uma olhada em outros de seu interesse.

Cada biblioteca utiliza a classificação que melhor atenda as suas necessidades, de acordo com o seu acervo. É possível também criar sua própria classificação, o que costuma ocorrer com acervos pessoais, já que na maioria dos casos o acervo é pequeno e acessado por um número reduzido de pessoas, permitindo organizar os livros de uma maneira mais simples, sem a necessidade da utilização de códigos e tabelas.

O mais importante é organizar os livros para que a recuperação seja possível e ágil.

Seção Técnica de Aquisição e Tratamento da Informação