Entrevista com o professor Adenil Alfeu Domingos

Nessa quinta-feira, 28 de abril, às 19h, acontece a palestra “Leitura da linguagem híbrida da publicidade” com o Prof. Dr. Adenil Alfeu Domingos. Entrevistamos o professor para saber mais sobre a importância da leitura da publicidade para o público em geral. 

O assunto da palestra é voltado para publicidade, de forma mais ampla, para comunicação. Mesmo assim, a grande maioria das inscrições partiram de pessoas de outras áreas. Como o assunto pode atingi-las?

As escolas privilegiam o verbal, mas o homem pensa com ícones (imagens semelhantes aos objetos que os rodeiam) e índices (imagens que brotam na mente a partir de outra, como por exemplo a fumaça que lembra fogo). A segunda traz a primeira dentro de si, em choque, em contraste, em contiguidade, em complementaridade e assim por diante. (Se vejo um perfume que ganhei de alguém sobre minha penteadeira e me lembro de quem me deu o perfume esse signo é um índice de quem me deu o perfume).
Essas operações trabalham mais com as imagens dos objetos que nos rodeiam e que atuam em nossa mente, quase sem interferência da capacidade simbólica do homem.
Os símbolos são criados de modo convencional e arbitrário, no uso cotidiano que o homem faz dos mesmos. As palavras são todas simbólicas, já que são produtos culturais e seus significados são passados de geração por meio de aprendizagem, ensino escolar.
Essa ênfase no símbolo verbal dá ao homem uma visão antropocêntrica do mundo que o cerca, já que ele se entende um ser superior diante da natureza, quando ele não deixa de ser um ser natural, integrado ao todo, pois sua mente apenas modifica o que o cerca, mas ele, na verdade, não cria nada, apenas consegue transformar o que já existe.
Ora o símbolo verbal não é senão um uso musicado do ar que respiramos e todo o aparelho fonador adapta os órgãos da caixa craniana que funciona então como caixa de ressonância. A matéria do símbolo verbal é o ar, nada mais que isso, modulado de modo funcionar dentro da língua como fonemas, ou sons carregados de significado, dentro de um sistema, naturalmente construído bottom-up e não top-down.
Chamamos o uso de objetos simples que entram em esquemas complexos como seres emergentes e o processo de produção da língua foi o uso de objetos naturais de modo cultural dentro de sistema criado pelo uso natural e contínuo de determinados sons que, paulatinamente, ganharam significados formando o sistema da língua.
As onomatopéias, por certo, foram as primeiras palavras que o homem criou e hoje encontramos resquícios delas em palavras como cccchhhhuuuuvvvvaaaa, trovãuuuuummmm, lebrer (animal rápido) hipopótamo (animal que nada lentamente) etc.
Como ícones e índices são mais ancestrais que os símbolos, a publicidade desce nesses signos e os alia a outros como a busca do parceiro sexual ideal (o objeto a venda é o passaporte para essa conquista); as fugas do predador (hoje concorrente, rival, inimigo, em que o objeto comprado serve como arma que o outro não tem, por isso a necessidade do novo); bem como a busca da presa como alimento, tanto material, quanto espiritual, nos tempos mais atuais do consumismo. Desse modo, os publicitários, se intencionalmente ou não, não se pode determinar, usam e abusam desse modo de persuadir o outro.

A facilidade de acesso à internet alterou o foco e modo de ação das propagandas publicadas em outros meios?

Entendo que hoje vivemos em uma sociedade wiki ( da rapidez) , ciber ( de interação mundial)  construindo uma wikiciberepopéia, ou seja, em uma epopéia que todos são heróis e não existe mais apenas o contador narrando as façanhas de um só herói, como na idade média, ou na idade antiga, pois a web 2.0 com as mídias sociais, abriu a possibilidade de que todos contem suas histórias como heróis das mesmas. A publicidade percebendo esse filão entendeu que é mais fácil o amigo seduzir outro amigo do que um desconhecido fazendo esse papel. Conclui-se, portanto, que a indicação de um produto por um amigo, via internet é mais eficiente do que qualquer publicidade feita por uma agência de propaganda. O que as agências têm feito é criar plataformas que possibilitem essa interação entre sujeitos de grupos de interesses, criando os nichos de propaganda no sites e blogs. Por isso, o interesse de grandes empresas em patrocinar certos blogs e sites.    

Nesse aspecto, como a propaganda na internet se diferencia da propaganda nos outros meios?

Entendo que hoje a comunicação é orobórica, termo que criei pensando em uma cobra que morde não só próprio rabo, mas precisa morder o rabo de outra cobra formando um círculo fechado em que um alimenta o outro de modo sem limites definidos entre o emissor e o receptor, pois só dando voz ao outro podemos saber o que ele pensa de nós; esse círculo permite entender que eu preciso conhecer o que o outro pensa para poder lhe servir com mais acerto.   

 Alguma indicação de títulos ou autores?

A cauda longa, de Chris Anderson, Cultura da convergência, de Henry Jenkins e Storytelling, de Chrystian Salmon, entre outros.    

As inscrições para a palestra do Prof. Adenil podem ser feitas na biblioteca ou pelo telefone 3103-6004.

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Biblioterapia

De acordo com Caldin, existe uma terapia por meio de livros, chamada BIBLIOTERAPIA. Já conhece? Na próxima quinta-feira, 11/11, às 14h, teremos a oportunidade de saber um pouco mais sobre o assunto com a bibliotecária Maria Aparecida Pardini e a palestra Biblioterapia: processo de cura através da leitura. Aproveite para ler seu artigo sobre o tema.

Biblioterapia pode ser mais eficaz que antidepressivo é o título de mais um artigo sobre o assunto, no Portal Folha.com. 

Inscrições: 3103-6004 ou straud@bauru.unesp.br

ilustração de Michele Iacocca