Congresso de Humanidades Digitais em Portugal

congreportuga
Apresentação
Debater o papel das Humanidades na academia e na sociedade é uma tendência de longa data. A confluência deste debate com o das transformações trazidas pela tecnologia digital também não é recente: não se pode falar de “novas tecnologias” para as Humanidades quando muitos investigadores recorrem ao digital há pelo menos quatro décadas, em disciplinas tão diversas como a Linguística, a História ou os Estudos Literários. Contudo, o impacto do recente discurso ligado às Digital Humanities tem levado a desenvolvimentos interessantes na investigação em Humanidades. Com efeito, têm-se dinamizado as redes entre investigadores de uma forma nunca antes vista, têm-se construído pontes entre as Humanidades e outras Ciências, têm-se quebrado barreiras disciplinares no seio das próprias Humanidades. O Congresso de Humanidades Digitais em Portugal pretende precisamente estimular essas intersecções, abrindo um fórum de partilha e discussão de resultados de investigação ou de projectos ainda em curso neste campo de conhecimento. Apesar de o congresso ambicionar uma maior aproximação entre investigadores que trabalham em português ou sobre temáticas ligadas com Portugal, serão bem recebidos contributos de outras áreas geográficas ou de outros temas. Através das Humanidades Digitais e do seu potencial para estimular o mútuo conhecimento e a criação de redes pretende-se igualmente ajudar a quebrar essa barreira linguística/geográfica.

Temas gerais do Congresso
Sem prejuízo de outros temas que possam surgir mais tarde, o Congresso de Humanidades Digitais em Portugal convida os interessados a enviar propostas de comunicação ou cartaz que demonstrem ou discutam as potencialidades das Humanidades Digitais para a interdisciplinaridade dentro das Humanidades e com outras áreas de conhecimento, bem como para a produção de um conhecimento mais acessível e aberto. As comunicações serão organizadas em seis blocos temáticos:

Espaço: Exploração de dados georeferenciados nas Humanidades
Corpora: Recolha, anotação e pesquisa de grandes volumes de informação textual
Mundos virtuais: Recriação e exploração de ambientes humanos presentes e passados
Edição e preservação digital: Edições críticas electrónicas e preservação do património
Visualização: Construção de interpretações visuais de dados nas Humanidades
Ferramentas: Apresentação e discussão de software aplicado às Humanidades

Fonte: http://bdh.hypotheses.org/1257

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Entrevistado do mês – Max Vicente

Desde o começo, nossa ideia com as entrevistas mensais era trazer o ponto de vista de diferentes usuários da biblioteca sobre os nossos serviços, nosso ambiente, e sobre bibliotecas de forma geral. Como não só de alunos se faz uma Biblioteca, esse mês o entrevistado foi o professor do Departamento de Ciências Humanas da FAAC Maximiliano Martin Vicente. Max, como é conhecido, conversou com Diego Melo sobre seu envolvimento com bibliotecas, local que frequenta desde sua infância na Espanha, além de comentar como vê ferramentas das novas mídias como um facilitador do contato entre a Biblioteca e a comunidade.

Infância à docência

“Desde que comecei a estudar, com sete ou oito anos, eu que era responsável pela organização dos livros, no que, não vou falar que era uma biblioteca, eram, na verdade, duas estantes com livros, infantis, gibis… Eu era o responsável por isso, então sempre gostei. Essa sala foi aumentando muito, porque nem sempre se tinha dinheiro para comprar os livros, você tinha que depender da biblioteca, por isso, eu sei muito da biblioteca. Na minha experiência na Espanha, eu era um dos que mais “fuçava”… Sempre indo atrás de livros, informação… Isso intensificou muito depois que eu entrei aqui no curso de graduação, só que no caso, naquela época, na universidade em que eu estudava, a USC, tinha um conceito muito estreito do que era biblioteca, tinha o balcão, o funcionário que procurava o livro que você precisava, e tinha o catálogo manual, então era uma coisa muito restrita. Estava pouco atualizada, a universidade não gastava dinheiro com isso, nem comprava outros livros, então, minha opção era comprar, o que era muito caro, mas a gente precisava, por conta do curso, que demandava muita leitura.

Bom, depois que entrei na UNESP, isso mudou radicalmente. Na UNESP de Marília ocorreu um choque imenso, porque em vez da coisa de barreira, que impedia, você tinha o contato. Marília foi muito interessante porque comecei a trabalhar com os anais da câmara dos deputados, e lá tinha esse acervo só que não estava organizado. Então, o meu trabalho em biblioteca que achei mais legal foi esse. Foi um trabalho que rendeu doutorado, porque eu trabalho praticamente com os anais, então só tinha no largo do São Francisco, na USP, e no Rio de Janeiro.

Então, foi muito legal, sempre dei valor às possibilidades que podia haver numa biblioteca, primeiro quando não tínhamos dinheiro para comprar livros, e depois quando me serviu como referência.

Hoje utilizo menos em termos de tempo, mas com um foco mais direcionado. Quando vou à biblioteca, embora não vá muito, vou com interesses bem específicos.”

Oásis dentro do câmpus

“Quando vim para Bauru, senti uma perda grande, porque a biblioteca de Marília tem uma história, desde que a Unesp incorporou o câmpus de Marília, tinha o curso de Letras, curso de História, um acervo imenso… Os professores lá doam livros constantemente, as editoras davam livros, e vir aqui foi de início um choque por isso, você via o acervo mais reduzido.

Por outro lado, como que eu diria, reduzido em termos de volume, mas não em termos de potencial. Esse foi um dos pontos que sempre achei o mais legal na Biblioteca, que ela foi evoluindo, avançando tecnologicamente, e, hoje, na verdade, embora o espaço seja importante, não é o vital, porque o que a biblioteca te oferece são informações, possibilidades imensas… Não é mais um depósito de livros. De jeito nenhum. A gente tenta passar isso para os alunos, mas todo mundo acha que está tudo na internet, o que cria uma série de problemas, porque a biblioteca não é só o lugar a que a pessoa vai pesquisar, é o ambiente, o clima… É uma espécie de oásis dentro do câmpus.”

É importante saber usar

“A Biblioteca aqui é excelente. Sempre que tem os editais, eu procuro cumprir o que pedem. Hoje, eu penso que, apesar de tudo, a UNESP está fazendo um esforço grande para continuar investindo em acervo. Então, depende do professor para pelo menos indicar algumas obras paradigmáticas da sua área de conhecimento. Muita gente não manda, ou manda dois livros e pede trinta volumes desses dois livros. Eu acho que não precisa tanto disso, não é? Mas uma coisa intermediária. Não abusar, porque todo mundo vai querer mandar o seu, enfim, colocar algumas questões aí, alguns livros de referência. Tanto é que alguns livros que temos aqui, não se encontram fácil em outros lugares. Pela minha experiência, eu penso que é um lugar privilegiado mesmo.

Confesso que sou fanático pelo  trabalho da biblioteca. Por quê? Porque as pessoas vão com uma atitude muito cômoda com relação à biblioteca. Elas querem ser servidas e a biblioteca não está lá para servir. Ela te propicia uma serie de condições, você tem que saber usar. Você tem toda uma possibilidade de falar que aqui o espaço dificulta? Não. Claro que dificulta, lógico, se eu tivesse o triplo de espaço que eu tenho lá, para poder acomodar mais gente, melhor. Mas não em termos de acervo. Discuto muito isso, inclusive aqui com os colegas, não é bem assim não. Acho que as pessoas têm que usar um pouco mais o que ela representa. Claro que se houver mais livros, melhor, eu sempre que posso doo os livros que recebo, mas não doo qualquer livro, só livro que acho importante. Porque também não se trata de você encher as estantes, por isso, livros que são importantes, de um autor de referência, livro que não está disponibilizado na internet ainda, então é isso que a gente procura fazer. Então essa parte tecnológica foi a saída mais interessante que poderia ter acontecido à biblioteca.”

Recursos tecnológicos recentes

“Os netbooks eu não utilizo, mas os outros recursos sim. Porque nós temos aqui os computadores, então, não faz sentido ocupar os da biblioteca. Mas, da experiência que eu tenho de outras bibliotecas que eu conheço ao redor do mundo, eu diria que oferecer netbook não é qualquer uma que oferece. Não só no Brasil.

É claro que tem outros conceitos de biblioteca, isso eu não tenho dúvida nenhuma. Por exemplo, eu visitei uma em Bogotá, na Colômbia, eu me esqueci do nome dela, acho que foi a Biblioteca Nacional, que, na verdade, é um poupatempo. Tem de tudo. Tem cinema, tem teatro, você pode tirar documento, você pode consultar livros, é um espaço extremamente original, democrático, público, onde as pessoas vão, usam, você não vai só para pegar um livro, vai fazer outras coisas, que eu acho que é por onde deveria ir um pouco. Eu fiquei impressionado com aquilo. Muito impressionado. Mas enfim, é um investimento que tem ser estatal, é um serviço caro, você tem que prestar um serviço público, para que as pessoas vão. Eu diria que é um paradigma do que poderia ser uma biblioteca, do que hoje pode vir se tornar a ser.”

Divulgação na rede

“Acompanho com muita frequência a participação da biblioteca nas redes sociais embora não participe. Eu tenho uma certa resistência a participar dessas novas tecnologias, mas acompanho, fico sabendo das exposições que são feitas, de tudo. Considero muito legal. De vez em quando, eu vou à Biblioteca quando quero ver uma exposição, já fui à Biblioteca só para ver uma exposição que me interessasse, sem pegar livros nem nada, só pela exposição. Coisas muito específicas, claro, do meu interesse.”

 por Camila Oliveira

Todo mês será publicada aqui no blog uma entrevista com um usuário da Biblioteca, aluno, professor, funcionário, aposentado. A intenção é conhecer melhor a visão daqueles que usam regularmente a Biblioteca sobre nossa estrutura, serviços e objetivos. Se você gostaria de ser entrevistado, ou gostaria de sugerir alguém para ser entrevistado, mande um e-mail para camila@bauru.unesp.br